"Donald Trump foi à Irlanda para provocar o Reino Unido"
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Está aberto o gabinete de guerra da "Rádio Observador", edição de fim de semana. Eu sou o Miguel Cordeiro, vou falar nos próximos minutos com Nuno Gouveia, especialista em política norte-americana. Bem-vindo, bom domingo. Vamos começar com a situação na Arábia Saudita, em que Donald Trump também já falou sobre este assunto, mas a Arábia Saudita decidiu, nos últimos dias, encerrar um importante oleoduto. Estamos a falar do oleoduto Leste-Oeste. Tem 1200 km, tem capacidade para exportar cerca de 7000 barris por dia. E estamos a falar da Arábia Saudita, que é o maior exportador de petróleo do mundo e tem conseguido, através deste oleoduto, de certa forma, contornar a passagem por Ormuz, sendo que transporta cerca de 4% a 5% da oferta global de petróleo. Este é um oleoduto muito importante e é uma decisão da Arábia Saudita preventiva, devido aos ataques que continuam a avançar dos houthis no Mar Vermelho. Que impacto tem, de facto, esta decisão da Arábia Saudita, também para aquilo que será os combustíveis, mas que impacto tem isto para o conflito armado que está em curso no Médio Oriente?
Sim, de facto, esta decisão da Arábia Saudita em encerrar este oleoduto é obviamente significativa para a economia mundial, numa altura em que já há uma grande pressão sobre os preços dos combustíveis, mas também nos diz do estado deste conflito. Nós sabemos que o Irão, através dos seus proxies, tem vindo a atacar a Arábia Saudita. Como disse e muito bem, os houthis no Mar Vermelho têm conseguido avanços importantes e as milícias pró-iranianas que estão sediadas no Iraque têm atacado postos estratégicos da Arábia Saudita, nomeadamente este oleoduto que agora foi encerrado. E no fundo, denota também a dificuldade da Arábia Saudita em manter o fluxo do petróleo a sair do país. Por outro lado, estes ataques recentes também demonstram que o Irão, apesar de não serem ataques diretos, continua com uma capacidade muito interessante do ponto de vista iraniano, para causar danos aos Estados Unidos e aos seus aliados. A Arábia Saudita, neste momento, nós sabemos que preferiu não responder diretamente aos ataques que têm vindo a surgir do Iraque. Disse que pretende dar espaço ao governo iraquiano para ajudar a resolver a situação com as milícias pró-iranianas, mas também nos diz da sua incapacidade de se defender. E nós sabemos que recentemente também foi pedido aos Estados Unidos ajuda, no fundo, para lidar com estas ameaças, nomeadamente com os houthis, e que neste momento os Estados Unidos também muito em função daquilo que se passa internamente e com as eleições que se aproximam, e que Donald Trump também, de facto, tem demonstrado não ter interesse em aumentar esta intervenção e, no fundo, escalar a guerra que se está a passar contra o Irão, denuncia também uma grande dificuldade dos Estados Unidos e dos seus aliados da região em conter um Irão. Um Irão que nós sabemos que também passa por imensas dificuldades. A crise econômica dentro do país é gravíssima. Nós sabemos que a inflação está a explodir.
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