Espanha. PP e PSOE iniciam campanha com foco em Ceuta e habitação
Os dois maiores partidos espanhóis, PP e PSOE, fazem hoje os primeiros comícios da campanha para as eleições antecipadas de 29 de novembro, que querem centrar em Ceuta e na imigração (os populares) e na habitação (os socialistas).
O presidente do Partido Popular (PP, direita), Alberto Núñez Feijóo, e o secretário-geral do Partido Socialista Espanhol (PSOE) e primeiro-ministro em funções, Pedro Sánchez, agendaram comícios para este sábado, os primeiros que farão como candidatos nas eleições de 29 de setembro.
Feijóo estará hoje em Madrid, depois de ter simbolicamente lançado a pré-campanha na quarta-feira com uma deslocação a Ceuta, o enclave espanhol no norte de África onde no final de julho entraram de forma ilegal mais de 70.000 pessoas, havendo milhares que permanecem na cidade.
Ceuta "é o sintoma do declínio, da corrupção e da mentira em que o país mergulhou" com a gestão de Sánchez, disse Feijóo em Ceuta, sublinhando que a cidade foi o destino da sua "primeira deslocação como candidato" e será "o primeiro dossiê em cima da mesa do Conselho de Ministros" se o PP chegar ao Governo.
Feijóo considerou que "Ceuta não recuperou a normalidade" e a única solução é que "as 15.000 pessoas que invadiram a cidade ilegalmente" no final de julho e continuam no enclave saiam de Espanha.
Já Sánchez estará hoje em Dos Hermanas, em Sevilha, um município considerado um feudo do PSOE, que governa a localidade em maioria absoluta desde 1983.
O líder do PSOE e primeiro-ministro convocou eleições antecipadas na segunda-feira depois de o parlamento ter 'chumbado' medidas para a habitação com que o Governo tinha avançado face a manifestações contínuas com milhares de pessoas nas ruas desencadeadas pelo despejo da idosa Maricarmen Abascal, em 23 de setembro.
Sánchez lançou a pré-campanha logo na terça-feira, quando o Conselho de Ministros voltou a aprovar os decretos da habitação 'chumbados' pelo plenário dos deputados.
Com o parlamento dissolvido, os diplomas serão agora votados por uma comissão permanente do parlamento, onde os partidos que votaram contra já não têm maioria.
"Se a maioria do Parlamento, tal como aconteceu, dá as costas aos cidadãos numa das questões que mais os preocupa, como é o acesso à habitação, então os cidadãos devem eleger um novo parlamento e, até que isso aconteça, o Governo continuará a governar", justificou Sánchez na terça-feira.
"Penso que é hora de o Parlamento se parecer mais à rua", acrescentou na sexta-feira, numa entrevista ao jornal elDiario.es, a primeira que concedeu como candidato nas eleições de 29 de novembro.
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