Uma mesquita improvisada, barbearias e luta livre: ainda há milhares de migrantes em Ceuta
Uma cidade com cerca de 80 mil habitantes, Ceuta é hoje diferente do que era há umas semanas. A entrada de rompante de mais de 70 mil migrantes vindos de Marrocos mudou o exclave e as consequências ainda são visíveis, até porque algumas centenas ainda por lá permanecem.
Sem terem para onde ir, mas sabendo que não querem voltar atrás, muitos destes migrantes estão a fazer da praia El Trampolín a sua casa, com tudo o que isso implica.
A reportagem do El País encontrou Hamed Salah al-Din, um cidadão que chegou vindo do Sudão, e que encontrou forma de arranjar sustento enquanto a sua situação não se define. Se em casa era barbeiro, porque não sê-lo também nesta espécie de lar improvisado?
Foi o que pensou e foi o que fez o homem de 31 anos, que fugiu do Sudão em 2025 e passou por Líbia e Argélia até chegar à cidade espanhola, onde procura escapar à guerra no seu país de origem.
O futuro vê-o no Reino Unido, mas por agora vai fazendo as vezes de barbeiro para muitos dos que ali estão, como ele, à procura de algo melhor.
Os cortes custam um ou dois euros e até podem ser de borla se Hamed considerar que se trata de um amigo – afinal fez alguns nas últimas semanas de espera.
Quando acaba o dia faz como sempre: recolhe o seu cartão e deita-se na praia, hoje feita praticamente de homens subsarianos que, tal como ele, também procuram escapar da guerra ou da fome.
À espera de alguma coisa, este grupo teve de encontrar o que fazer. Hamed, já sabemos, montou uma barbearia improvisada, mas até já há uma mesquista construída também com cartões, e que serve de lugar às orações destes homens, que aí encontram um momento de paz.
O contorno da mesquita está desenhado na areia e são pacotes de leite vazios que fazem de parede. A construção é ainda ajudada por cestos de refeições distribuídas pela Cruz Vermelha e até há um minarete, neste caso improvisado a partir de um cano partido.
Quem espera na praia também encontra outras formas de fazer passar o tempo, seja através de jogos de futebol ou até torneios de luta livre.
Depois da entrada em massa em Ceuta, a esmagadora maioria dos migrantes regressou, mas a Cruz Vermelha garante que ainda distribui comida para cerca de quatro mil pessoas todos os dias. Como Hamed, estão todos à espera de uma decisão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.