Inês Lynce, a investigadora em IA que quer pôr a ciência portuguesa a correr em equipa
Retrato é uma rubrica do ECO na qual, durante o mês de agosto, é publicado diariamente o perfil de uma personalidade que se distinguiu no último ano, em Portugal.
Aos 45 minutos de entrevista, Inês Lynce pede uma pausa, mas não demora nem um minuto.
“Desculpe, são as maravilhas da vida do campo.
Estamos a fazer doce de figo, de figos apanhados esta manhã.
De repente começo a ouvir a máquina a trabalhar e era preciso tirar um pau de canela” , conta a professora catedrática, especialista em inteligência artificial (IA).
A interrupção coincide com o momento em que explica o que distingue a sua área, o “raciocínio automático”, dos modelos de linguagem que alimentam o Claude e o ChatGPT.
Também no doce de figo, a supervisão humana mostra-se essencial.
A primeira mulher a presidir o INESC-ID — instituto de referência em Portugal nas Ciências da Computação e na Engenharia Eletrotécnica e de Computadores — aceitou falar com o ECO mesmo estando de férias.
O que não é insignificante visto que faltam poucos meses para o arranque do SAIL, acrónimo de Sustainable Artificial Intelligence Laboratory , um projeto de 27,2 milhões de euros que pode bem ser o maior da sua carreira: “Como este é difícil vir a ter outro”, admite.
O objetivo é desenvolver um novo Centro de Excelência, em colaboração com dois institutos alemães, numa espécie de upgrade do próprio INESC-ID .
Esse salto não será apenas científico ou uma questão de dimensão e notoriedade externa.
O SAIL é um projeto de capacitação, destinado a desenvolver IA avançada, sustentável e responsável, mas é também uma oportunidade para transformar o funcionamento e os processos da própria instituição.
“Nós somos muito desorganizados e temos o mérito de funcionar mesmo assim”, reconhece Inês Lynce, ressalvando que o problema não é exclusivo do instituto que lidera.
“Há uma série de práticas em todas as instituições que nos parece que podemos melhorar bastante.” Uma das mudanças passará por reforçar as estruturas de apoio à investigação, nomeadamente através de gestores de ciência: pessoas com formação avançada que conhecem o processo científico, mas se especializam no desenvolvimento de projetos, na organização e na procura de financiamento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.