Guarda Revolucionária do Irão confirma "acordos" com Omã sobre Ormuz
"D urante as negociações com Omã, foram firmados alguns acordos relativos à participação de cada país nas águas do estreito e à participação do Irão e de Omã nas receitas", indicou o porta-voz da Guarda Revolucionária, acusando Washington de "obstruir os trabalhos" das negociações dos dois países do Golfo, que se prolongam há várias semanas.
As declarações de Hossein Mohebi surgem um dia depois de os ministros dos Negócios Estrangeiros de Omã, Badr al-Busaidi, e do Irão, Abbas Araghchi, se reunirem em Teerão.
Segundo um comunicado divulgado na terça-feira pela diplomacia de Mascate, as negociações vão prosseguir para estabelecer uma rota marítima permanente e definir "a gestão futura do estreito", bem como um mecanismo para "prestar os serviços de navegação e segurança necessários".
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Kazem Gharibabadi, também confirmou na noite de terça-feira, à televisão estatal, avanços nas negociações com Omã sobre uma nova estrutura para gerir o tráfego marítimo no estreito de Ormuz, que excluiria as embarcações militares.
"Se o entendimento se tornar vinculativo, nenhuma embarcação militar terá permissão para passar pelo estreito de Ormuz", disse.
Gharibabadi salientou que a rota proposta é temporária e que os dois países deverão negociar de seguida, num prazo de 30 a 60 dias, um esquema permanente.
O tráfego marítimo comercial para o golfo Pérsico a partir do golfo de Omã passaria inteiramente por águas iranianas, enquanto a rota de saída atravessaria partes das águas dos dois países, precisou.
Os Estados unidos já avisaram Omã que se opõem a partes do acordo em desenvolvimento, incluindo a gestão conjunta da rota de saída da passagem marítima, por onde transitavam 20% dos hidrocarbonetos mundiais antes da guerra, que fez disparar os preços dos bens petrolíferos.
Anteriormente, o Presidente norte-americano, Donald Trump, tinha afirmado que Ormuz estava sob controlo norte-americano e desminado, uma alegação negada por Teerão, e ameaçou Omã com bombardeamentos caso o sultanato se colocasse "no caminho" de um acordo dos Estados Unidos sobre o estreito.
Na segunda-feira, o secretário norte-americano do Tesouro, Scott Bessent, apresentou a operação "Pária Económico" contra a República Islâmica, que visa sancionar qualquer pessoa ou entidade que com ela mantenha relações comerciais.
Em reação, as autoridades de Teerão consideraram que a guerra económica anunciada por Washington está "destinada ao fracasso", e afirmaram que não vão mudar o rumo da República Islâmica.
Washington e Teerão acordaram em 17 de junho um memorando de entendimento, que incluiu um cessar-fogo imediato, a reabertura do estreito de Ormuz e o levantamento do bloqueio naval entretanto imposto pelos Estados Unidos aos portos do Irão.
As partes voltaram no entanto à confrontação e aos respetivos bloqueios navais e não prosseguiram as negociações previstas no memorando para alcançarem um acordo de paz definitivo, cujo prazo de dois meses já expirou.
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