DI da Lusa avisa que ter “elemento político” desvirtua “lógica dos critérios editoriais”
A diretora de Informação da Lusa, Luísa Meireles, considerou esta terça-feira no parlamento que “ a introdução do elemento político num órgão de supervisão numa empresa de comunicação social pública desvirtua e altera a lógica dos critérios editoriais” .
Referindo-se ao atual Conselho Consultivo previsto nos estatutos, formado por 13 membros dos quais seis são de nomeação política, Luísa Meireles alertou que a própria Direção de Informação (DI) fica exposta “a critérios alheios ao jornalismo, a eventuais tentativas de condicionamento ou constrangimento editorial, que possam ir além da mera influência ou pressão e se possam confundir com interesses partidários ou de corporação “.
A diretora da Lusa falava durante uma audição da Direção de Informação – que integra também Nuno Simas e Maria de Deus Rodrigues – na Comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, no âmbito da apreciação na generalidade dos projetos de lei do PS, IL, PCP, Livre e de um projeto de resolução do Chega sobre o modelo societário e os estatutos da agência noticiosa.
“A Lusa esteve muito parada no tempo” Na sua intervenção, Luísa Meireles esclareceu que a DI “ sempre foi muito clara na sua opinião relativamente aos atuais estatutos “, e declarou que “ veria com bons olhos que fossem densificadas de uma forma clara as suas competências, responsabilidades e autonomia, numa interação necessária e obrigatória com a administração, evitando assim diferentes interpretações “.
Considerou como sendo “ da maior importância” a existência de “um órgão consultivo, de supervisão ou de acompanhamento interno” que garantisse “a salvaguarda da independência editorial da Lusa e a não-interferência do Governo, ou de quaisquer poderes públicos ou privados “, agora que o Estado é detentor de 100% do capital da agência.
“ É ao presidente do Conselho de Administração da Lusa que compete a nomeação ou destituição da Direção da Informação, depois de ouvido o parecer do Conselho de Redação e após parecer vinculativo da Entidade de Regulação da Comunicação Social, ERC.
No nosso entender é um triplo crivo “, disse ainda.
Questionada pelos deputados, Luísa Meireles defendeu que o Conselho Consultivo deveria reunir representantes de outros órgãos de comunicação, das plataformas, das associações, da rádio, tv e imprensa escrita, “que são os clientes da Lusa”.
Sobre o memorando assinado recentemente entre a RTP e Lusa, a diretora disse concordar com “a partilha logística” de instalações, como já acontece na Madeira, em Angola e, no passado, na Guiné-Bissau”, mas salvaguardou que “ a cara da RTP não pode ser a cara da Lusa”.
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