Passos defende acordo com Chega e IL. Regresso? "Se um dia equacionar..."
O antigo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho defendeu que o PSD "tinha obrigação de explorar" um entendimento parlamentar com o Chega e a Iniciativa Liberal.
O ex-governante alertou ainda que o atual modelo do Governo é uma "armadilha política" e garantiu que, apesar das críticas, não é candidato a nada.
Em entrevista à SIC Notícias, a primeira em televisão após sair do governo, Passos Coelho começou por explicar que as suas declarações sobre a atualidade têm como objetivo "contribuir para o debate público e, de certa maneira, para dar às pessoas uma visão sobre aquilo que podia ser útil fazer nas circunstâncias que estamos a viver".
"Isso pode ser útil para o Governo também, se o Governo entender ouvir outras visões, uma vez que é o Governo do meu partido", destacou.
Passos Coelhos disse "achar" que tem "algumas responsabilidades" pelas funções que teve no passado e que "não se esgotaram por ter deixado de ser governante".
"O tempo em que estive à frente do PSD e do Governo foi um tempo bastante marcante, mas foi também um tempo em que as pessoas que se habituaram a olhar para mim como alguém - julgo eu - que está atento àquilo que é o longo e médio prazo, que é o futuro", acrescentou.
"É um exercício que eu acho que tenho o dever de fazer", frisou.
No entanto, garantiu: "Nesta altura não sou candidato a nada, nem estou a preparar nenhuma candidatura.
Se o estivesse a fazer, dizia-o.
Não há nenhuma razão para não o fazer".
"País esperava uma mudança significativa" Passos Coelho seguiu com críticas ao Partido Socialista (PS), lembrando que o país viveu "um tempo muito exigente" durante a sua governação e, depois, "mergulhou em gestão corrente".
"Quando nos limitamos a gerir o dia–a-dia e a pensar menos do que devíamos no longo prazo, quando o longo prazo chega, normalmente temos razão para estarmos insatisfeitos", sublinhou.
Neste sentido, considerou que "para que possamos oferecer às pessoas uma perspectiva de esperança maior para o futuro, alguma coisa tem de se fazer mais transformada".
O ex-primeiro-ministro sublinhou que, após a eleição da AD, em 2024, "o país esperava uma mudança significativa na orientação política do Governo e ela tardou em perceber-se".
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