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Ângelo Correia: "Ventura sabe que moção de censura falha"

Observador ·
Ângelo Correia: "Ventura sabe que moção de censura falha"

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora o Explicador da Rádio Observador, hoje na edição das manhãs 360 de fim de semana. Falamos sobre a possível moção de censura anunciada pelo Chega ao governo. É nosso convidado Ângelo Correia, antigo ministro da Administração Interna. A condução deste Explicador é do Vasco Maldonado Correia. Depois de meses preenchidos por novos episódios na novela Luís Neves, chegamos a um capítulo que pode ter verdadeiras consequências diretas ou indiretas para a realidade política do país. O Chega já vinha exigindo a saída do ministro da Administração Interna, agora ameaça com uma moção de censura caso Luís Neves não saia até terça-feira. Para analisar esses novos desenvolvimentos, convidamos para este Explicador Ângelo Correia, histórico social-democrata e também antigo ministro da Administração Interna no governo de Francisco Pinto Balsemão. Ângelo Correia, antes de mais, bem-vindo e obrigado por estar com a Rádio Observador.

Bom dia. Deixe-me começar por perguntar se considera que há alguma hipótese de Luís Montenegro ceder a este ultimato de André Ventura.

Não, não há nenhuma hipótese. Se porventura o Chega levar para a frente esta ideia de uma moção de censura, numa primeira fase, o Chega perde. Numa segunda, vai tentar, como sempre, transformar uma derrota numa vitória. Ou seja, a primeira coisa que vai acontecer é uma votação, no meu ponto de vista, é a minha previsão, em que o único partido que vota a favor da moção de censura do Chega é o próprio Chega. Nenhum outro partido vai fazer. Haverá partidos que vão votar contra e outros se absterão. A partir dessa circunstância, a moção de censura falha, o que aliás o Ventura sabe. Ventura tem plena consciência de que é uma inutilidade política esta moção de censura, mas ele não o faz para ser útil politicamente. Ele o faz apenas para manter viva uma jogada política que é a destruição de Luís Neves. Por que o Chega tem uma obsessão específica a ponto de utilizar e de alavancar essa questão como razão para fazer uma moção de censura? Por Luís Neves, por uma razão óbvia e direta. Luís Neves opôs-se no plano teórico, no plano do capital político, da gestão política, do conhecimento de resultados, de leis, de estatísticas, de realidades objetivas ao Chega. O Chega não tolerou isso. O Chega gosta de estar sozinho, mandar sozinho, não ter contraditório, não ter oposição, estar sozinho na praia. Portanto, alguém que lá esteja, para ele é sempre um problema, e como tal tem que ser removido. A razão fundamental para o Chega querer tirar, querer exigir e fazer a ameaça ao primeiro-ministro de que há uma moção de censura se não tirarem o ministro Luís Neves, representa, na prática, um sinal que eles respeitam Luís Neves e sentem-no com força. E hostil à visão que eles querem implantar na sociedade. Luís Neves é um obstáculo para o Chega. E como tal, que obstáculo? For poderoso, tem que se utilizar o instrumento mais poderoso que a política dá para esse efeito, que é uma moção de censura. Agora, tudo isto é o que acontece, no meu ponto de vista, no primeiro momento.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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