Camiões incendiados para travar operação policial no Rio
Quatro camiões foram incendiados para tentar travar uma operação policial em curso esta segunda-feira, com centenas de operacionais, veículos blindados e outros meios, no Rio de Janeiro contra grupos criminosos envolvidos em disputas territoriais, revelaram fontes policiais.
A operação decorre numa área conhecida como Complexo de Israel, que é um conjunto de favelas e freguesias, na zona norte do Rio de Janeiro, dominado pelo Terceiro Comando Puro (TCP), grupo criminoso rival do Comando Vermelho, uma das duas maiores organizações criminosas do Brasil.
Segundo a Polícia Militar do Rio de Janeiro, a operação mobiliza mais de 200 polícias militares, 40 viaturas ligeiras, 15 motos, cinco veículos blindados, uma ambulância, drones, uma aeronave equipada com imageador (câmara que converte sinais acústicos ou térmicos em imagens) e uma aeronave blindada.
Além de equipamentos de engenharia e logística, a operação também mobiliza retroescavadora, camião de reboque e camião prancha.
Assim que a operação policial começou, membros desses grupos colocaram fogo em quatro camiões na Avenida Brasil , uma das principais vias da cidade, confirmaram à Lusa fontes policiais.
A circulação nessa via estava já fechada, contudo, porque no início da ação, a corporação determinou o encerramento preventivo da Avenida Brasil e da Linha Vermelha para preservar a segurança de motoristas e utilizadores durante a operação policial.
O objetivo é conter disputas territoriais entre fações criminosas e combater quadrilhas que, segundo a polícia, utilizam as comunidades como base para roubos de veículos e cargas, exploração ilegal de serviços e outras atividades criminosas.
A intervenção da polícia também pretende combater práticas de perseguição e intolerância contra minorias religiosas, incluindo praticantes de religiões de matriz africana e outros segmentos cristãos, segundo a corporação.
A ação desta segunda-feira é a segunda fase de uma operação iniciada na região da Cidade Alta na sexta-feira, onde, segundo a corporação, a primeira etapa permitiu estabilizar a área e desobstruir vias utilizadas pela população.
A imprensa local noticiou que houve intensa troca de tiros entre os policiais e os criminosos durante a madrugada , e que por causa disso, oito escolas públicas e duas unidades de saúde nessas regiões tiveram as atividades suspensas por questões de segurança.
Até ao momento, avançou à Lusa fonte da corporação, quatro homens foram detidos, e foram apreendidos dois fuzis, duas granadas, um rádio transmissor, um colete e material entorpecente, não havendo registo de feridos, mas a operação prossegue ainda.
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