Exército israelita nega testemunhos sobre uso de IA para bombardear Gaza
O exército israelita “rejeitou categoricamente” esta sexta-feira, 11 de setembro, que as decisões sobre bombardeamentos na Faixa de Gaza são sempre tomadas por inteligência artificial (IA), contrariando testemunhos no documentário "Naza", estreado na véspera no Festival de Veneza.
As decisões relativas “à seleção e aprovação de ataques” são tomadas “exclusivamente por pessoal humano, de acordo com as diretrizes das Forças de Defesa de Israel, e não por inteligência artificial", declarou o exército, em comunicado.
Baseado em 24 testemunhos anónimos de membros das próprias forças armadas e dos serviços de informações, o filme israelita "Naza" ("danos colaterais" na gíria militar) aborda a alegada estratégia seguida pelo exército para devastar o enclave palestiniano, com destaque para a componente tecnológica.
No documentário alguns oficiais afirmam que podem vigiar qualquer pessoa com um telemóvel.
Outro entrevistado apresenta-se como o criador de um sistema que, utilizando algoritmos e IA, consegue determinar onde as pessoas se estão a concentrar dentro de um edifício.
Também há relatos sobre bombardeamentos que matam mulheres e crianças no caso de um membro do grupo islamita palestiniano Hamas for detetado na mesma área.
Após a estreia do filme na quinta-feira em Veneza, os realizadores, os jornalistas de investigação Yuval Abraham e Rachel Szor, receberam uma ovação de 25 minutos, segundo a agência de notícias AFP.
O exército israelita critica o filme por se basear em "testemunhos anónimos de pessoas cuja identidade não pode ser verificada, nem se serviram nas Forças de Defesa de Israel, em que função ou se estiveram envolvidas nos assuntos em causa".
Esta prática não é porém desconhecida no país dada a seriedade e sensibilidade do tema, de acordo com a agência noticiosa espanhola EFE, como é o caso da organização não-governamental israelita de defesa dos direitos humanos Breaking the Silence, formada por ex-militares.
O exército israelita questionou ainda a veracidade dos testemunhos, referindo no comunicado que "incluem afirmações sobre estratégia nacional e militar que excedem claramente o conhecimento dos soldados de baixa patente".
Qualquer soldado que testemunhe uma violação da lei “é obrigado, de acordo com as ordens militares, a denunciá-la para que a necessidade de abrir uma investigação possa ser avaliada”, prosseguiu o comunicado, sublinhando que “isto também se aplica às pessoas entrevistadas para o filme".
No entanto, as poucas investigações que o exército israelita abre em casos comprovados de ataques dos seus soldados contra civis na Faixa de Gaza raramente resultam em acusações formais ou condenações.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.