Seguro pede “reflexão séria e ação” perante maus resultados dos alunos no PISA
O Presidente da República alertou esta quinta-feira para as desigualdades socioeconómicas em Portugal, a propósito do acesso ao ensino superior, e defendeu “reflexão séria e ação” perante os resultados do PISA, “com vontade política de longo prazo”.
Num discurso na sessão solene de abertura do ano académico de 2026/2027 da Universidade de Lisboa, na Aula Magna, António José Seguro também se referiu às “falhas nos exames” nacionais de acesso ao ensino superior e às “transições que não correram como deviam”.
Sobre os resultados do PISA 2025 , o chefe de Estado afirmou que esse estudo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económicos (OCDE) indica “um recuo sério” nas aprendizagens, não apenas em Portugal, que “merece reflexão séria e ação” , mas desencadeou “o debate errado”, com “dois campos que se acusam mutuamente de todos os males” .
Alunos portugueses estão piores na matemática e leitura Ler Mais “Os dados dizem também outra coisa, que raramente se cita: os jovens portugueses são dos mais curiosos e mais persistentes da OCDE, pois apenas 20% consideram que a escola foi uma perda de tempo.
O problema não é a falta de vontade de aprender, o problema está no que se aprende e como se aprende e na desigualdade socioeconómica que continua a pesar mais em Portugal do que noutros países da OCDE”, apontou.
Segundo o Presidente da República, há que fazer “novas perguntas” sobre que país se quer construir, tendo em conta que “todas as gerações são diferentes, e ainda bem que o são”.
Comissão de inquérito aos exames avança com voto do PS Ler Mais “Mas fazer novas perguntas não nos deve distrair da necessidade de nos organizarmos melhor para implementar as respostas, fazê-lo com consistência, com financiamento e monitorização da sua alocação e, acima de tudo, vontade política de longo prazo.
Esse é o debate que precisamos de ter”, defendeu.
Em seguida, António José Seguro declarou que, quando pensa no ensino superior, o que mais o preocupa são as desigualdades, e mencionou que “um dado circulou nos meios de comunicação social, e foi rapidamente esquecido: apenas 3% dos estudantes colocados no ensino superior eram beneficiários do escalão A da ação social — o apoio destinado às famílias com menores rendimentos”.
“Três por cento.
Os estudantes de famílias com menores rendimentos continuam profundamente sub-representados no ensino superior.
A universidade deve ser um elevador social.
Mas um elevador que só apanha 3% de quem precisa de subir não é um verdadeiro elevador, assemelha-se mais a uma escada apenas para quem já tem força para a subir”, criticou.
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