Episódio 5. Um negócio com Pablo Escobar
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Se quiser ouvir todos os episódios de seguida, basta ser assinante standard ou premium do Observador. Para assinar, vá a observador.pt/assinar. Depois de mais de um ano a viver em Lisboa, a Ani está de volta a Cuba. Com o fim do processo revolucionário, sente que já não é bem-vinda em Portugal. Vai continuar a tentar libertar o pai a partir de Havana. Retoma a vida praticamente onde a deixou. Regressa ao apartamento no Nuevo Vedado, recupera o trabalho como tradutora para o regime e revê os amigos. Mas também há uma novidade: vai voltar a apaixonar-se. José Manuel Abrantes Fernández é ministro do Interior, a pasta do governo de Fidel Castro que controla a segurança do Estado, a polícia, os sistemas de informação, a imigração, as fronteiras e as cadeias. O militar cubano é um dos homens de confiança de Fidel. Começou como chefe dos guarda-costas do líder cubano, fez parte da polícia política e nos últimos anos chegou ao governo. Não é de agora que conhece a Ani. José Manuel, ou Zé Manel, como é muitas vezes referido nas cartas entre ela e a mãe, já era um dos amigos da portuguesa quando ela chegou à Havana há mais de 10 anos. Fazia parte do grupo restrito de cubanos que a Ani convidava para a embaixada da Suíça, quando ainda lá vivia e era casada com Raymond Candau. Tal como René Vallejo, também Zé Manel é casado. Aliás, ao longo da vida, casa quatro vezes, nunca com a Ani. A relação que mantêm é mais casual e também não é exclusiva da parte dela. Ani e Zé Manel nunca chegam a morar juntos ou sequer a namorar oficialmente, mas ao longo de mais de uma década, vão ser um casal. No dia 14 de fevereiro de 1989, Dia dos Namorados, José Manel envia-lhe um ramo de gladiolus vermelhos para casa e a mãe de Ani, que está em Cuba de visita nessa altura, testemunha e anota o gesto no diário. Também nesse ano, em junho, faz ainda mais por Ani. Numa homenagem, atribui-lhe uma medalha por mérito profissional. Há de ser um dos últimos atos oficiais de José Manuel Abrantes Fernández, antes de ser demitido inesperadamente por Fidel. No dia 12 de junho de 1989, é preso em Havana o general Arnaldo Ochoa, veterano da Revolução e um dos poucos a serem distinguidos com o título de herói da República de Cuba, a mais alta condecoração militar do país. É só o início daquele que virá a revelar-se um dos maiores escândalos da liderança de Fidel Castro, que envolve um esquema com o maior narcotraficante do mundo, Pablo Escobar. Ochoa é suspeito de facilitar a entrada na ilha de várias toneladas de cocaína traficada a partir da Colômbia, com destino aos Estados Unidos. Vai ser acusado de alta traição, mas não vai cair sozinho. E José Manuel Abrantes Fernández, o namorado de Ani, é uma das pessoas que vai ser arrastada com ele. "Os Escândalos de uma Revolucionária" é uma série para ouvir em seis episódios, que faz parte dos podcast plus do Observador. É narrada por mim, Bárbara Branco, com banda sonora original de Frankie Chavez. Episódio cinco: um negócio com Pablo Escobar.
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