Fitch satisfeita com redução da dívida prevista no OE2027. Antecipa défice de 0,3%
Apesar da descida de impostos, como o IRC, a agência de notação financeira Fitch mostra-se satisfeita com a manutenção da trajetória de redução da dívida pública , que tem servido de principal justificação para as consequentes melhorias do rating de Portugal .
Esta conclusão é de uma análise da agência, publicada na sexta-feira, à proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027).
PIB, saldo e salários.
Os números do OE2027 Ler Mais “A rápida redução da dívida pública continua a ser um ponto importante, embora o rácio da dívida de Portugal se mantenha elevado em comparação com outros países com notação semelhante .
As projeções do OE2027, segundo as quais a dívida deverá diminuir três pontos percentuais em termos homólogos, para 84,5% do PIB em 2027 , estão, de forma geral, alinhadas com as nossas últimas previsões”, destaca a Fitch.
No entanto, as projeções para o saldo diferem entre o Ministério das Finanças e a agência de notação financeira .
Ao passo que o Governo antecipa um ligeiro excedente de 0,1% do PIB no próximo ano , a Fitch continua a antecipar um défice de 0,3% .
No entanto, explicam, esta estimativa “é compatível com uma maior redução da dívida, desde que se mantenham excedentes primários suficientemente elevados “.
O desempenho orçamental de Portugal tem excedido repetidamente as expectativas iniciais nos últimos anos, o que confere alguma confiança na execução orçamental, embora a meta de excedente de 0,1% fixada pelo governo deixe pouca margem para um crescimento mais fraco, um desempenho da receita inferior ao previsto ou medidas adicionais sem cobertura financeira.
Fitch A diferença no saldo orçamental para o próximo ano assenta sobretudo nas perspetivas de crescimento do PIB .
O Executivo português aponta para uma aceleração para 2,3% este ano e um abrandamento para 2,1% no próximo, ao passo que a Fitch antecipa 2,1% em 2026 e 1,9% em 2027 .
Para a agência, o fator decisivo do crescimento económico nos patamares definidos pelo ministro das Finanças será o investimento privado .
Ou seja, até que ponto “o investimento privado vai conseguir compensar a queda do investimento público , tendo em conta as condições de financiamento mais restritivas”.
A Fitch reconhece ainda o agravamento dos juros da dívida soberana , mas explicam que “o aumento limitado do spread face às Bunds alemãs sugere que este movimento reflete, sobretudo, uma reavaliação generalizada das obrigações , ao invés de uma deterioração significativa do sentimento em relação a Portugal “.
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