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Comunidade luso-tailandesa mantém viva a sua herança em Banguecoque

Notícias ao Minuto - País ·
Comunidade luso-tailandesa mantém viva a sua herança em Banguecoque

L ocalizado na margem ocidental do rio Chao Phraya, na área de Thonburi, subsiste o pequeno bairro de Kudi Chin, uma antiga comunidade luso-tailandesa fundada há mais de 250 anos que vai resistindo ao tempo e às inundações.

Navinee Christina Pongthai Dandhra Nanda, de 75 anos, Pong para os amigos, viveu a vida toda neste bairro. Tem olhos muito claros e traços que apontam para outros lugares.

"Sou a quinta geração de uma família descendente de soldados portugueses", diz à Lusa no Museu Baan Kudichin, dedicado à história e cultura portuguesas do bairro e instalado numa antiga casa da sua família.

Com o tempo, o nome da família alterou-se de Da Cruz para Dandhra Nanda. Pong conta que nunca se falou português em casa, conhecendo apenas algumas palavras como "avô" ou "Natal". Hoje tenta aprender através da aplicação Duolingo. "Mas só tem português do Brasil, não é a mesma coisa", afirma.

A septuagenária esteve "em Portugal apenas uma vez", numa viagem para visitar Fátima, mas quer regressar no próximo ano "antes que fique demasiado velha".

No ano passado, recebeu a Ordem do Infante D. Henrique pelas mãos do embaixador de Portugal em Banguecoque, pelo "notável contributo para o reforço das relações entre Portugal e a Tailândia".

"Infelizmente não temos uma escola de língua portuguesa, só um curso de português na cidade", na Faculdade de Artes da Universidade Chulalongkorn, explica. Existem também aulas de português no Instituto Camões do Centro Cultural Português em Banguecoque.

Sarayut Supsook, professor universitário, cofundador do Museu Baan Kudichin e cunhado de Pong, contribui regularmente para a preservação e promoção da cultura portuguesa da comunidade.

Fundado em 2015 na casa de uma tia de Pong, o museu tornou-se um espaço dedicado à divulgação da história do bairro e da comunidade lusodescendente daquela área.

"A Embaixada de Portugal em Banguecoque reconheceu-nos como centro cultural oficial português. Somos o único na cidade", destaca Supsook, também membro fundador da Associação das Comunidades Luso-Asiáticas, criada em Díli, Timor-Leste, no ano passado.

O primeiro português conhecido a chegar ao atual território da Tailândia foi Duarte Fernandes, enviado em missão diplomática ao Reino de Ayutthaya (Sião) em 1511 por Afonso de Albuquerque, após a conquista portuguesa de Malaca.

Em 1538, tropas mercenárias portuguesas lideradas por Domingos de Seixas auxiliaram o monarca Chairajathiraj, do então Reino de Sião, durante uma guerra contra a Birmânia (hoje Myanmar).

Hábeis no uso de armas de fogo, canhões e táticas militares europeias, os portugueses serviram nas forças armadas siamesas como guardas reais, atiradores de elite e capitães de navios. Ainda de acordo com documentos do museu, médicos portugueses introduziram técnicas ocidentais no Sião e, em 1546, um médico de Portugal realizou com sucesso uma cirurgia para remover uma bala do corpo do rei Chairajathiraj.

Engenheiros portugueses ajudaram igualmente a construir algumas das primeiras infraestruturas do reino, incluindo estradas e canais.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - País.

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