Derrotar o terrorismo sem sacrificar a liberdade
Há 25 anos, os atentados de 11 de setembro mataram quase três mil pessoas e revelaram ao mundo uma nova dimensão do terrorismo.
A resposta era inevitável: os Estados tinham o dever de proteger os cidadãos, desmantelar redes terroristas e prevenir novos ataques.
Muitas das medidas adotadas desde então salvaram vidas.
Mas, 25 anos depois, surge uma pergunta mais difícil: na tentativa de derrotar os inimigos das democracias liberais, não estaremos a oferecer-lhes parte da vitória que procuravam? O terrorismo não pretende apenas matar.
Pretende provocar medo e, através dele, alterar comportamentos, sociedades e instituições.
O sucesso de um atentado mede-se também pelas consequências políticas que produz.
Depois do 11 de Setembro, aumentámos controlos, vigilância e poderes do Estado, aceitando restrições antes dificilmente compatíveis com sociedades abertas.
Guantánamo, prisões secretas, tortura e vigilância em massa mostraram até onde o medo pode conduzir as democracias.
Mas a transformação mais profunda é talvez menos visível: o estrangeiro tornou-se progressivamente suspeito.
Demasiadas vezes, muçulmanos são confundidos com jihadistas, como se uma pertença religiosa implicasse adesão a uma ideologia violenta.
A imigração deixou de ser discutida apenas como fenómeno económico, social ou demográfico e passou também a ser tratada como uma questão de segurança.
Em 2010, quando França avançava para a proibição do véu integral no espaço público, o ministro conservador britânico da Imigração, Damian Green, afirmou que dizer às pessoas o que podiam ou não podiam vestir na rua era “pouco britânico”.
Se criticamos países onde uma mulher é obrigada a cobrir o rosto, não podemos considerar automaticamente liberal obrigá-la a descobri-lo.
Em ambos os casos, é o Estado que decide como alguém se deve vestir.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.