Leitão Amaro defende ensino mais focado em português
O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, admitiu hoje ter ficado surpreendido com a "falta de choque" relativamente aos resultados do PISA e defendeu um ensino mais focado em disciplinas essenciais como o português.
"Devo dizer que me surpreende um pouco a falta de choque no país com os resultados da literacia revelada pelo últimos exames do PISA", afirmou o ministro, em Óbidos, sublinhando "uma descida muito significativa", na última década, dos índices de literacia e de leitura por parte das crianças e jovens.
Numa intervenção proferida na inauguração do Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos, António Leitão Amaro disse não ser "um negacionista da tecnologia", mas aludiu a estes resultados para defender "uma resposta diferente, na relação das crianças com a tecnologia, a Inteligência Artificial e as redes sociais".
Para o ministro, se ao invés de "ler devagar", a relação dos consumidores com os livros for "à procura dos resumos gerados por aplicações de inteligência artificial", o país ficará "mais pobre na capacidade de nos darmos enquanto povo, de aprendermos uns com os outros".
Alertando para os perigos "da dependência da tecnologia", Leitão Amaro defendeu medidas governamentais como a limitação ou proibição de telemóveis nas escolas e as restrições à utilização de redes sociais.
Sustentou, no entanto, que é também preciso, nas escolas, "focar mais nos conteúdos essenciais como o Português", em detrimento do "sonho de expor a tudo, com currículos fluidos" que "faz perder a importância relativa da aprendizagem essencial da nossa língua, o nosso passaporte para a relação com os livros".
A intervenção do governante marcava a abertura ao público da 11.ª edição do Folio, Festival Literário Internacional de Óbidos, e o arranque de 11 dias de programação com 450 autores e criadores, entre os quais o Nobel da literatura Jon Fosse.
Antes de o ministro partilhar com os leitores do Folio os livros que são a sua "compra preferida", Joana Pinho, da Livraria Ler Devagar, admitiu existir "uma certa dificuldade" em abrir um festival de literatura, "em falar de livros, de autores, de encontros, quando, ao mesmo tempo, há pessoas a lutar pela sua casa, pela sua terra, pela sua liberdade. Há pessoas a fugir da guerra. Há pessoas que perderam tudo.
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