Israel pronto para retirar habitantes de Gaza após aval dos EUA
N uma conferência organizada pelo portal de notícias israelita Ynet, Israel Katz observou que o plano de migração em grande escala na Faixa de Gaza foi "apenas congelado" pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, após pressão do mundo árabe, mas nunca saiu de cima da mesa.
"Continua a ser objeto de discussões, inclusive agora. E julgo que, no final, não há outra solução para benefício de todos. Mas, para que isso aconteça, precisamos dos Estados Unidos, e esse momento chegará", declarou o governante, citado na imprensa israelita.
Katz considerou que a decisão chegará "quando se tornar claro que o Hamas não está a cumprir os seus compromissos", no âmbito do roteiro do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza sobre a segunda fase do cessar-fogo entre Israel e o grupo islamita palestiniano que governa o território.
"Então teremos luz verde para avançar militarmente, territorialmente e noutras áreas também", prosseguiu.
Pouco depois do seu regresso à Casa Branca, Donald Trump admitiu em fevereiro de 2025 "assumir o controlo" da Faixa de Gaza e reconstruí-la, transformando-a na nova "Riviera do Médio Oriente".
Ao mesmo tempo, defendeu o realojamento definitivo da população palestiniana nos países vizinhos, que de imediato rejeitaram a ideia, enquanto a generalidade da comunidade internacional reagia com palavras de condenação.
Nas suas declarações durante a conferência, o ministro da Defesa israelita referiu pesquisas a indicar que "80% [dos habitantes do enclave] querem emigrar", embora não precise a sua fonte, mas acrescentou que o Hamas "não os deixa sair e não há nenhum país no mundo que os absorva".
O Governo israelita está "organizado e pronto a retirá-los por mar, por ar, por qualquer meio possível", frisou.
Israel Katz tem vindo a defender há vários meses esta medida, apresentada como uma emigração voluntária dos habitantes da Faixa de Gaza. O seu colega das Finanças, o ultranacionalista Bezalel Smotrich, chegou a sugerir que fosse alargada aos palestinianos da Cisjordânia.
A deslocação forçada de uma população civil é um crime de guerra segundo o Direito Internacional.
O destino dos territórios palestinianos ocupados é um dos temas centrais das legislativas em Israel, em 27 de outubro, bem como as circunstâncias dos ataques liderados pelo Hamas há quase três anos no sul de Israel, que desencadearam a guerra na Faixa de Gaza.
O conflito foi suspenso por um frágil cessar-fogo desde outubro do ano passado, apesar de os dois lados se acusarem mutuamente de sucessivas violações da trégua e não terem chegado a acordo sobre as etapas seguintes do processo de paz.
A proposta do Conselho da Paz para a Faixa de Gaza foi aceite pelo Hamas, mas recusada pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, enquanto não ficar concluído o processo de desarmamento das milícias palestinianas e a desmilitarização do território.
Esta rejeição foi hoje reforçada pelo chefe do Governo israelita, numa rara deslocação ao enclave palestiniano, acompanhado pelas chefias militares.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.noticiasaominuto.com — o conteúdo pertence a Notícias ao Minuto - Mundo.