A verdade das contas e a mentira das narrativas
Quando se fala em contabilidade, um termo frequentemente alvo de interpretações redutoras e de alguns mitos urbanos, importa recordar que a contabilidade se distingue de quase todas as demais formas de narrativa organizacional , por possuir uma característica que a distingue de quase todas as outras formas de relato: assenta em factos documentados , registados, reconciliados e sujeitos a princípios técnicos.
Uma opinião pode ser discutida.
Uma narrativa pode ser interpretada.
Mas um lançamento contabilístico, uma demonstração financeira aprovada ou um parecer de auditoria possuem uma objetividade que dificilmente pode ser ignorada.
Porém, existe uma forma subtil de distorcer a realidade sem alterar uma única linha das contas: controlar a narrativa através da omissão.
Na vida empresarial, institucional e até associativa, raramente as maiores deturpações resultam da falsificação dos números.
Na maioria dos casos, resultam da seleção dos números que são apresentados, do contexto que é omitido ou dos factos que deixam de ser referidos.
As demonstrações financeiras completam conta uma história.
Uma citação isolada conta apenas um capítulo.
Existe um velho princípio na análise financeira: uma meia-verdade pode ser mais enganadora do que uma mentira completa.
Imagine-se uma entidade que divulga com destaque um crescimento de receitas de 20% num determinado exercício.
A afirmação pode estar rigorosamente verdadeira, mas se omitir que os gastos cresceram 35%, e que os resultados operacionais diminuíram ou que o aumento da receita resultou de um evento extraordinário não recorrente, a perceção criada junto dos destinatários da informação financeira poderá ser substancialmente diferente daquela realidade económica.
O mesmo sucede quando uma organização destaca o valor dos seus ativos mas omite os passivos, evidencia os excedentes operacionais, mas ignora os compromissos futuros, ou anuncia investimentos sem referir a origem do respetivo financiamento.
Ou até mesmo quando é alvo de processos judiciais em curso com impacto económico e financeiro, porque tem “o entendimento” que irá ganhar a contenda em tribunal.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.