A esquerda que quer proteger os inquilinos de terem casa
A discussão sobre o mercado da habitação, em muitos fóruns, não anda muito longe do tosco.
Há quem nos queira convencer de que o nosso excecionalismo nos permite escapar às mais básicas leis do mercado.
Receio desiludi-los, mas não.
A demografia, a pouca construção ou um contínuo êxodo rural, por exemplo, estavam disponíveis para quem quisesse ver.
Nada disto é rocket science e, por muitos defeitos que tenham os simplificados modelos de oferta e procura, isto conseguiam antecipar.
A questão que naturalmente segue daqui é: onde fica a responsabilidade do Estado? A inação não nos trouxe até aqui, mas é inegável que amplificou as consequências.
A rede ferroviária, pesada ou ligeira, está há décadas praticamente congelada.
Os planos foram sendo adiados e muitos ficaram no papel.
Os transportes são insuficientes e totalmente depauperados.
Do lado da construção, a regulação excessiva, dantesca, atrasou ou hipotecou novos projetos.
Ainda do lado da oferta, o Estado foi incapaz de assumir o seu papel de proprietário, identificando o potencial dos seus edifícios e reconvertendo-os quando possível.
A somar a isto, quiseram-nos convencer de que a entrada de um milhão de pessoas viria sem consequências e que medidas de expansão da procura, como as de apoio aos jovens, seriam inócuas.
Entre a inércia e a inaptidão reside parte da culpa.
Para agravar a uma discussão que não ultrapassa a banalidade dos diagnósticos, surge o populismo económico, fundado em propostas mirabolantes de soluções imediatas, sem custos ou consequências.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em eco.sapo.pt — o conteúdo pertence a ECO.