Pérez-Reverte: “O grande erro geopolítico foi Filipe II não ter transferido a corte para Lisboa”
Gostei do duelo inicial entre o mosqueteiro Athos e o capitão Alatriste.
É uma clara homenagem a Alexandre Dumas, tanto este duelo como todo o livro? É sobretudo uma homenagem ao leitor que um dia eu fui.
Li Os Três Mosqueteiros quando tinha nove anos e fiquei fascinado.
Passei a vida inteira a tentar reconstruir o que senti ao ler Os Três Mosqueteiros .
A amizade, a mulher perigosa, Milady, o poder oculto.
Este livro influenciou-me tanto que sempre interpretei a minha vida em relação a ele.
Palavras como lealdade, camaradagem, perigo, aventura - tudo vem daí.
Esteve sempre presente nos meus pensamentos; cheguei mesmo a escrever um dos meus romances sobre isso, O Clube Dumas , publicado há uns 30 anos.
É um livro tão importante para mim que precisava de lhe prestar algum tipo de homenagem direta.
Presta homenagem ao romancista francês, mas, ao mesmo tempo, há uma malícia sua ali, opondo francês e espanhol.
Porque a forma como descreve os acontecimentos, Athos é exageradamente elegante, enquanto Alatriste é conhecido por...
Por lutar sujo, profissionalmente.
Este duelo descreve também a relação entre França e Espanha, de alguma forma? Sim, bem, de certa forma, sim.
A França sempre foi uma espécie de modelo para os espanhóis em termos de elegância, cultura e bons costumes.
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