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O verdadeiro teste aos carros elétricos não é na autoestrada, é na reunião de condomínio

Diário de Notícias ·

A narrativa em torno do automóvel elétrico foca-se quase sempre na estrada: o fim da ansiedade com a autonomia, a potência imediata dos motores e a modernidade da tecnologia a bordo.

Mas a euforia que se vive à saída do concessionário dissipa-se rapidamente quando se chega a casa.

O verdadeiro teste à resiliência do condutor não será encontrar um posto de carregamento livre na autoestrada a meio de uma longa viagem.

Será enfrentar a Dona Maria do 3.º Direito e o Sr.

Vítor do rés-do-chão na próxima assembleia de condóminos.

A transição energética esbarra, hoje, na mais analógica, passional e complexa das instituições portuguesas: o condomínio.

O Estado fez a sua parte no papel e percebeu onde estava o grande obstáculo.

Uma das grandes novidades dos atuais apoios ambientais é o financiamento em 80% (até 1000 euros) para a instalação de carregadores em garagens de edifícios multifamiliares, juntamente com a aliciante isenção de tarifas da EGME (Entidade Gestora da Rede de Mobilidade Elétrica) durante dois anos.

É um pacote generoso, mas num país onde a esmagadora maioria vive em apartamentos, a lei do "direito à tomada" abriu uma verdadeira caixa de Pandora.

A questão central que incendeia as reuniões culmina, quase sempre, num desabafo cru e compreensível por parte de quem se sente prejudicado: "Não aceito pagar quotas extra para atualizar quadros elétricos ou instalar dispendiosos sistemas de segurança contra incêndios para uma tecnologia que não uso, da qual sou contra, só para que dois ou três vizinhos possam ter os seus elétricos à carga." E a verdade é que a razão lhes assiste.

Por que há de o fundo de maneio de todos subsidiar a infraestrutura de alguns, ou exigir quotas extraordinárias do orçamento do condomínio? A reboque da carteira, vem o pânico da segurança.

A perspetiva de ter veículos a puxar energia em simultâneo durante a madrugada nos pisos inferiores de estacionamento levanta dúvidas legítimas.

O administrador do condomínio vê-se, de repente, a braços com a responsabilidade civil (e até criminal) de aprovar uma infraestrutura de alta potência para a qual o prédio simplesmente não foi desenhado, há 20 ou 30 anos.

A linha entre o direito individual à mobilidade verde e a imposição de custos e riscos à segurança coletiva tornou-se num campo de minas.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em www.dn.pt — o conteúdo pertence a Diário de Notícias.

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