Os Oliveira vendem farturas com fartura há 82 anos em Viseu
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Continuamos pela Feira de São Mateus, em mais um episódio de "A Nossa Cultura". Já conhecemos algumas das tradições que vão resistindo à passagem do tempo e agora seguimos aquele cheiro clássico que provavelmente todos nós associamos a uma feira popular, o cheiro das farturas, porque podem mudar as diversões, os concertos, até a própria dimensão da feira, mas é difícil imaginar uma festa como esta sem uma boa banca de farturas. E aqui na Feira de São Mateus, há um homem que já se confunde com esta tradição. António Oliveira é conhecido por muitos como o Senhor das Farturas e é com ele que vamos conversar nos próximos minutos. Ora viva, António Oliveira, muito obrigado por se juntar à Rádio Observador. António, começamos pelos anos de feira que já leva. Há quanto tempo vem vender farturas para a Feira de São Mateus?
Então antes de muito, vem agora a passar de geração em geração, está agora encarrega o António.
Vamos na quarta geração. O meu filho já é a quarta geração. Também costuma estar aqui sempre a trabalhar conosco.
Depois de tantos anos, qual é a maior diferença entre a feira que encontrou quando começou e aquela mais moderna, digamos, que temos hoje, e o que é que, apesar de tudo, continua exatamente igual?
Sim, a tradição das farturas continua, é sempre a mesma tradição, tanto é que as farturas são sempre as mesmas.
Enquanto conversamos, precisamente, as farturas vão saindo, a fila é muito extensa aqui ao nosso lado. A receita também atravessou várias gerações. Estes anos não trouxeram grandes mudanças. Uma boa fartura hoje é uma boa fartura nos anos 90, não mudou nada?
Não, não mudou. A fartura tradicional mantém-se completamente igual. Nós temos agora uma nova receita que é as farturas fininhas. Também temos que ir inovando. Os mini chourios e as mini recheadas, mas a fartura tradicional mantém-se intacta.
Eu acho que é o prazer e o gosto do negócio que ficou enraizado da família.
Por que acha que é assim tão difícil e está tão enraizado na nossa cultura portuguesa imaginar uma feira deste gênero sem farturas? Ou seja, há coisas que podem sempre ir alterando, mas as farturas mantêm-se sempre. Há alguma razão para isto?
Pois, não sei, mas acho que as pessoas já vêm à feira, grande parte delas, a pensar nas farturas. Se tirarmos as farturas da feira, tiramos um bocado a alma da Feira de São Mateus.
E indo nesse sentido, imagino que depois de tantos anos, como descreve, haja pessoas que já não são meros clientes ocasionais. Tem clientes que regressam todos os anos e que já reconhece quando vêm cá à banca. Imagino até, eventualmente, população imigrante que regressa neste mês de agosto.
Sim, a família Oliveira já é uma marca na Feira de São Mateus. Já há pessoas que vêm porque vêm à família Oliveira. Se calhar, certamente nem comiam farturas se não fosse na família Oliveira.
Exatamente. E qual é o momento de maior azáfama por aqui? Há alguma hora do dia que praticamente não conseguem parar ou é sempre o corrupio?
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.