Congressistas dos EUA aprovam lei de reforço de sanções à Rússia
O projeto de lei tem o nome do falecido senador Lindsey Graham, republicano da Carolina do Sul, que passou mais de um ano a negociar a medida, e foi aprovado por 262 votos (159 contra), seguindo agora para o Presidente Donald Trump, que terá ainda de promulgá-la.
A legislação representa o esforço mais ambicioso de apoio à Ucrânia desde o regresso de Trump à Casa Branca em 2025 e quebraria um impasse relativo de quase dois anos sobre a questão, após um pacote de ajuda de emergência em 2024.
O Presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, tem pressionado pela aprovação do projeto e fez um apelo direto aos senadores pouco antes de o aprovarem no mês passado.
A medida impõe sanções às autoridades russas, aos bancos e a uma frota clandestina de navios-tanque que mantém as exportações de petróleo russo. Autoriza ainda que Trump imponha tarifas até 100% aos cinco maiores importadores de petróleo ou gás natural russo, com exceção dos países que importam menos de 15% das exportações de gás natural da Rússia e que tomaram medidas significativas para reduzir esse fluxo.
"Estes países têm uma escolha a fazer sobre se vão continuar a sustentar a agressão de Putin", disse o congressista Michael McCaul (republicano pelo Texas).
Os defensores afirmaram que a medida visa dissuadir a China e a Índia de comprar energia russa, mas os críticos do projeto disseram temer que Trump o utilize para atingir aliados na União Europeia e noutras regiões.
"Este Presidente sempre disse que adora tarifas", disse o congressista Gregory Meeks (democrata por Nova Iorque). "E conhecemos o historial do que ele fez relativamente às tarifas aos nossos aliados europeus e nossos aliados em todo o lado".
Os democratas estavam divididos quanto ao projeto, apesar do apoio esmagador da bancada à ajuda à Ucrânia. O congressista Steny Hoyer (democrata por Maryland) defendeu a aprovação como uma posição em relação à guerra. "Se não aprovarmos este projeto de lei, haverá celebração no Kremlin e lágrimas em Kyiv", disse Hoyer.
Já o congressista Don Beyer (democrata da Virgínia) previu que os apoiantes da Ucrânia acabariam por se arrepender de votar a favor do projeto de lei.
"Sim, poderão dizer 'estivemos ao lado da Ucrânia' logo após a aprovação", disse Beyer. "Mas quando Donald Trump impuser novas tarifas aos nossos aliados e levantar sanções contra a Rússia, a vitória de propaganda para Putin será duradoura, e os danos ficarão consolidados na legislação norte-americana".
O líder democrata Hakeem Jeffries, ao manifestar-se contra o projeto, afirmou que os democratas continuariam a apoiar o povo ucraniano até à vitória, mas que a nova lei "não oferece um caminho para garantir isso".
O Congresso tem enfrentado dificuldades para garantir o fluxo de apoio militar à Ucrânia, à medida que aumentam resistências republicanas a gastar mais. Trump criticou frequentemente a ajuda à Ucrânia durante a sua campanha presidencial e insistiu que, se fosse eleito, terminaria rapidamente a guerra iniciada pela invasão de Moscovo em fevereiro de 2022.
Graham demorou praticamente um ano inteiro a convencer Trump a apoiar o pacote de sanções contra a Rússia.
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