AIMMAP alerta Bruxelas que proteger o aço não pode fragilizar a indústria transformadora
A indústria metalúrgica e metalomecânica portuguesa considera que a Comissão Europeia identificou no discurso sobre o Estado da União alguns dos principais problemas que estão a pressionar a indústria europeia, mas alerta que a resposta terá de abranger toda a cadeia de valor.
Em particular, a AIMMAP manifesta preocupação com o risco de as medidas destinadas a proteger a produção europeia de aço acabarem por penalizar as empresas transformadoras que utilizam essa matéria-prima.
Num comentário ao discurso da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen , a AIMMAP considera importante o reconhecimento da ameaça representada pela desindustrialização, pelos elevados custos da energia e pela concorrência desleal.
A associação diz tratar-se de problemas que “as nossas empresas sentem todos os dias” e que exigem uma resposta europeia “muito mais rápida e eficaz”.
A associação acolhe também positivamente algumas das medidas anunciadas pela Comissão, nomeadamente a maior rapidez na tomada de decisões e na execução, a simplificação, o investimento nas redes energéticas, a diversificação no acesso a matérias-primas e uma atuação mais determinada perante as distorções comerciais.
Mas, para a AIMMAP, permanece uma questão essencial: garantir que as medidas adotadas para proteger a indústria europeia não tornam mais difícil produzir dentro da União Europeia (UE).
“Não podemos proteger a produção europeia de aço através de medidas que encarecem a matéria-prima para milhares de empresas transformadoras europeias e, simultaneamente, permitir que produtos acabados fabricados fora da União entrem no nosso mercado sem suportarem custos equivalentes”, defende a associação.
Para a indústria metalúrgica e metalomecânica, a questão coloca-se sobretudo ao nível da cadeia de valor.
Segundo a AIMMAP, não será possível construir uma política industrial eficaz “protegendo um elo da cadeia de valor e fragilizando os seguintes”.
A posição surge uma semana depois de a associação ter estado em Bruxelas, juntamente com representantes da indústria europeia do aço, dos metais e de setores transformadores a jusante.
Nessa iniciativa, foram colocados simbolicamente à porta da Comissão Europeia caixões representando a capacidade produtiva, o emprego e o conhecimento industrial que, segundo a AIMMAP, a Europa corre o risco de perder.
Resposta ao “second China shock” A associação também considera necessária uma resposta europeia ao que Ursula von der Leyen designou como o “second China shock”, mas defende que esta deve abranger toda a cadeia de valor industrial.
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