Protestos pela habitação em Lisboa contam com testemunhos de cidadãos
Marta, Neusa, Bruno e Lucas foram quatro das dezenas de vozes que partilharam hoje o seu testemunho numa assembleia popular pelo direito à habitação em Lisboa, onde se ouviram histórias diferentes, mas dificuldades e reivindicações comuns.
Durante quase três horas, a plataforma Casa para Viver abriu o microfone instalado na praça Dom Pedro IV, em Lisboa – onde estão montadas tendas desde sábado, num protesto pelo direito à habitação – a porta-vozes de associações da sociedade civil e cidadãos anónimos.
"Fui vítima de violência doméstica, tenho duas rendas em atraso e uma ordem de despejo", contou Marta, perante várias centenas de pessoas que aplaudiram a lisboeta.
Depois da separação, Marta passou a ter de pagar uma renda sozinha, mas o salário não chegou e as dívidas foram-se acumulando.
Já concorreu a programas de habitação social e municipal, mas foi sempre confrontada com algum obstáculo.
"Nunca consigo andar para a frente, porque a burocracia é exatamente isso", lamentou.
A história de Neusa não é muito diferente.
Também vítima de violência doméstica, foi forçada a sair de casa com os dois filhos para escapar daquela relação e descreve o desafio quase impossível de arrendar uma casa para a família com apenas um salário.
Como ela e Marta, Neusa falou também em nome de todas as mulheres presas em relações violentas, cuja única saída é deixar as suas casas e sujeitarem-se a um mercado de arrendamento cada vez mais insustentável para o trabalhador português médio.
É esse mercado "selvagem" que João Guedes teme.
Com 50 anos, sempre viveu em Lisboa, mas descreve hoje uma cidade muito diferente daquela que conheceu durante a infância e a adolescência.
"Obviamente, o turismo alterou muito a cidade, mas está-se a ir longe demais, está-se a descaracterizar a cidade.
É uma cidade que não é para os portugueses, porque ninguém consegue viver aqui", lamentou, em declarações à agência Lusa.
João Guedes não se serviu do microfone aberto, mas ouviu as intervenções atentamente e reviu-se em muitas delas.
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