A IA é o "perfeito desastre humano". A ausência de "vulnerabilidade" é o "aspeto trágico que pode levar à nossa destruição"
Imagine que o ser humano nunca tinha experenciado fome, o sono não existia, a segurança não era um imperativo para a sobrevivência, tal como a necessidade de se manter quente ou até a ideia de que a qualquer momento a sua existência pode cessar. Será que teríamos chegado a este nível civilizacional em que criar uma inteligência não natural é possível? Como teria sido o futuro do primeiro humano sem qualquer tipo de vulnerabilidade? Para o neurocientista, médico e investigador António Damásio, este é o "aspeto trágico" indissociável da Inteligência Artificial (IA) que transformou o presente "num momento de perfeito desastre humano".
O alerta do cientista é feito para “aquilo que se está a passar em certos aspetos, não da ciência biológica, mas da tecnologia". O especialista português no estudo da relação entre cérebro, emoções, sentimentos, tomada de decisão e consciência radicado nos EUA acredita que a IA, nos termos atuais, é um "desastre que pode até acabar com o nosso mundo".
António Damásio define o paradigma da Inteligência Artificial como "um ponto extremamente importante" para o futuro da Humanidade, tendo em conta que esta tecnologia já demonstrou estar "fora de controlo" e ser "até capaz de ‘inventar’ a nossa própria destruição".
Há quatro anos, em várias entrevistas e artigos publicados, o professor de Neurociência, Psicologia, Filosofia e Neurologia na University of Southern California (USC), em Los Angeles - onde dirige o Brain and Creativity Institute - teorizava que a IA seria algo extraordinário desde que estivesse capacitada de uma ponte para a dimensão humana. Caso contrário, poderia culminar numa tragédia.
O tempo veio a confirmar esta segunda hipótese, em que a chance dos seres humanos prosperarem parece ser menor e, agora, o problema, explicou António Damásio na CNN Portugal Summit, prende-se com o conceito simples que é a "vulnerabilidade".
"O que é belo nesta conversa é que estamos preocupados com a possibilidade de os seres humanos sobreviverem de uma forma digna e satisfatória. Para isso, é preciso haver esta enorme vulnerabilidade da vida. Naquelas entrevistas e artigos, estava a falar da possibilidade de incluir vulnerabilidade em sistemas que não são vulneráveis", começou por referir António Damásio, detalhando: "Os sistemas de Inteligência Artificial, neste momento, têm como única vulnerabilidade cortar-lhes a corrente elétrica e desligá-los ou destruir um data center; mas isso não é vulnerabilidade".
Em comparação, lembra o catedrático, a Humanidade tem uma "vulnerabilidade que é muito maior e está presente em todos os momentos".
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.