CFP vê riscos no crescimento de 2027 e considera pouco provável inflação de 2,9% em 2026
O parecer do Conselho de Finanças Públicas (CFP), divulgado a 7 de outubro, não põe em causa o cenário macroeconómico apresentado pelo Governo.
Mas a sua leitura dos números deixa uma margem de segurança mais estreita para 2027 do que a taxa de crescimento de 2,1% poderia sugerir.
O Conselho considera que os riscos para o crescimento real têm um enviesamento descendente, ao mesmo tempo que identifica uma potencial subestimação da inflação em 2026 e 2027.
Crescimento de 2,1% coloca a fasquia alta para 2027 A economia portuguesa deverá crescer 2,3% em 2026 e 2,1% em 2027.
Para o CFP, os 2,3% deste ano têm elevada probabilidade de se concretizar.
Mesmo que a economia não cresça na segunda metade de 2026, o efeito de transporte estatístico resultante do desempenho da primeira metade permitiria ainda assim chegar a um crescimento anual próximo de 2,1%.
Para atingir os 2,3% previstos pelo Governo, seria necessário um crescimento de cerca de 1,0% no segundo semestre, equivalente a aproximadamente 0,3% em cada trimestre.
O problema surge sobretudo quando se olha para 2027.
Os 2,1% previstos pelo Governo são a taxa de crescimento mais elevada entre as instituições de referência consideradas pelo CFP.
A média situa-se em cerca de 1,8%, com o Fundo Monetário Internacional a apontar para 1,6% e a Comissão Europeia, o Banco de Portugal e o próprio CFP para 1,8%.
Para atingir os 2,1%, a economia terá de acelerar.
O crescimento intra-anual previsto para 2027 é de 1,6%, depois de 1,7% em 2026 e de 1,3% em 2025.
O cenário implica um crescimento médio de cerca de 0,6% por trimestre ao longo de 2027, aproximadamente o dobro do ritmo implícito para a segunda metade de 2026, de cerca de 0,3% por trimestre, e acima do crescimento trimestral médio de 0,5% registado em 2025.
O CFP considera, por isso, que a previsão de 2,1% para 2027 está no limite superior do intervalo de confiança de 30%.
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