Organizações propõem usar parte do futuro fundo soberano na educação
A coordenadora executiva do Movimento de Educação Para Todos (MEPT), Isabel da Silva, disse que a organização defende um mecanismo específico para reforçar o investimento em infraestruturas escolares, materiais e outras necessidades do sistema de ensino.
"Enquanto MEPT, defendemos a necessidade de se investir mais no setor da educação, sobretudo no financiamento (...) focado mais para o componente de investimento", disse Isabel da Silva, à margem de uma mesa-redonda sobre financiamento do desenvolvimento, realizada em Maputo, que reuniu organizações da sociedade civil ligadas à monitoria do orçamento e aos setores da educação, saúde e proteção social.
Questionada pela Lusa sobre o montante previsto para o fundo, explicou que ainda não existe um valor definido, mas que o MEPT dispõe de um documento de posicionamento e de um guião orientador que estabelecem linhas para o seu eventual funcionamento.
Entre as fontes de financiamento defendidas pelo MEPT está a afetação de uma percentagem do fundo soberano, além da mobilização de outros recursos nacionais, numa estratégia que a organização considera necessária para reforçar a componente de investimento na educação. A proposta prevê responder a necessidades como construção de salas de aula, melhoria das infraestruturas, disponibilização de carteiras e materiais escolares e apoio à alimentação dos alunos.
Isabel da Silva apontou dificuldades nas condições de ensino em várias zonas do país, destacando as províncias de Niassa e Zambézia, e relatou que uma escola visitada recentemente no distrito de Angoche, província de Nampula, apresentava um rácio de 272 alunos por professor, situação que considerou ilustrativa dos desafios relacionados com a insuficiência de docentes.
A dirigente referiu igualmente situações de alunos que estudam sentados no chão ou debaixo de árvores e a falta de alimentação escolar em algumas comunidades, relatando que, durante visitas ao terreno, algumas crianças disseram querer sair mais cedo da escola por sentirem fome. Segundo Isabel da Silva, o eventual fundo deverá considerar também estas condições, por influenciarem o processo de ensino e aprendizagem.
A mesa-redonda juntou organizações que trabalham igualmente nas áreas da saúde e proteção social, com os participantes a defenderem uma atuação mais coordenada na monitoria das finanças públicas e na influência sobre políticas públicas.
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