Governo quer manter Luís Rodrigues como CEO até 2028
O Governo pretende manter Luís Rodrigues como presidente executivo (CEO) da TAP até à conclusão da privatização parcial da companhia aérea, prevista para 2028, e exclui uma gestão partilhada com a Lufthansa durante o período de transição.
A posição foi assumida esta quarta-feira, 14 de outubro, pelo ministro das Infraestruturas, Miguel Pinto Luz, depois de o Conselho de Ministros ter escolhido o grupo alemão para adquirir até 49,9% do capital da transportadora portuguesa.
“Em relação ao Luís Rodrigues, o Governo tem entendimento que devemos manter [o gestor] como presidente executivo (CEO).
É isso que estamos a trabalhar”, afirmou Miguel Pinto Luz, numa conferência de imprensa após a reunião do Executivo.
O ministro defendeu a continuidade da atual liderança enquanto decorre o processo necessário para a concretização do negócio.
A decisão significa que a administração da TAP continuará responsável pela gestão da companhia durante os próximos meses, sem partilhar antecipadamente o controlo executivo com o futuro acionista.
A Lufthansa poderá, no entanto, acompanhar de perto o cumprimento dos compromissos assumidos na proposta selecionada pelo Governo.
Apesar de afastar a cogestão, Miguel Pinto Luz confirmou que a Lufthansa terá acesso à informação necessária para acompanhar a execução do plano estratégico da transportadora.
O objetivo será verificar se a TAP cumpre os compromissos que sustentaram a escolha da proposta alemã, nomeadamente os relativos ao crescimento da frota, ao desenvolvimento da operação e à atividade em Portugal.
“A Lufthansa tem o direito de acompanhar a par e passo aquilo que está a ser cumprido ou não do plano estratégico”, afirmou o ministro.
O acompanhamento não deverá, contudo, traduzir-se numa intervenção direta na gestão corrente antes da autorização da operação pelas autoridades competentes.
A distinção é relevante porque a entrada efetiva da Lufthansa no capital da TAP ainda depende de procedimentos contratuais e regulatórios.
A antecipação do controlo de uma empresa antes da aprovação de uma operação de concentração pode configurar gun jumping , uma prática que viola as regras europeias quando permite ao comprador exercer influência determinante antes da autorização exigida.
Em junho, Miguel Pinto Luz tinha admitido a possibilidade de o futuro investidor assumir uma cogestão da TAP ainda em 2026, em conjunto com a administração existente.
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