Hipertensão durante a gravidez está a tornar-se mais comum. Saiba quais são os riscos
A hipertensão arterial é uma condição comum que ocorre durante a gravidez. Uma das suas formas, a hipertensão gestacional, tornou-se significativamente mais comum nos Estados Unidos, concluiu um novo relatório.
A taxa de hipertensão gestacional aumentou 73% entre 2016 e 2024 e, em 2024, mais de uma em cada 10 mulheres que deram à luz tinha esta condição, segundo o relatório publicado em julho pelo Centro Nacional de Estatísticas de Saúde dos EUA.
Por que razão esta condição é preocupante, quem corre maior risco e o que pode ser feito para a prevenir e tratar?
Para ajudar a compreender os resultados e aquilo que as grávidas devem saber sobre esta forma de hipertensão, falámos com a especialista em bem-estar da CNN, Leana Wen. Wen é médica de urgência e professora associada de medicina clínica na George Washington University. Anteriormente, foi responsável pela saúde pública de Baltimore.
CNN: O que é a hipertensão gestacional e em que difere de outros tipos de hipertensão arterial durante a gravidez?
Dra. Leana Wen: A hipertensão gestacional refere-se à pressão arterial elevada que se desenvolve durante a gravidez numa pessoa que anteriormente tinha uma pressão arterial normal. Clinicamente, a condição é diagnosticada depois das 20 semanas de gravidez, quando a pressão arterial atinge 140/90 mmHg ou mais em medições repetidas.
Esta forma de hipertensão arterial é uma das várias doenças hipertensivas da gravidez. A hipertensão crónica é a pressão arterial elevada que começou antes da gravidez ou que é diagnosticada durante as primeiras 20 semanas. A pré-eclâmpsia é uma hipertensão que se desenvolve depois das 20 semanas e é acompanhada por sinais de que outros órgãos, como os rins, estão a ser afetados.
CNN: O que concluiu este novo relatório sobre a prevalência da hipertensão gestacional?
Wen: Os investigadores analisaram os dados das certidões de nascimento relativos a todos os nascimentos registados nos Estados Unidos entre 2016 e 2024. Seis por cento das mulheres que deram à luz em 2016 tinham hipertensão gestacional registada. Em 2024, essa taxa tinha aumentado para 10,4%. O número de casos passou de quase 236 mil por ano para mais de 377 mil.
O aumento foi generalizado. As taxas subiram em todos os grupos etários e em todos os grupos raciais e étnicos estudados. Também aumentaram nos 50 estados e no Distrito de Columbia, embora tenham persistido diferenças geográficas significativas — em 2024, as taxas variavam entre 6,9% em Nova Jérsia e 14,6% no Louisiana.
Uma ressalva é que a definição utilizada nas certidões de nascimento inclui hipertensão induzida pela gravidez e pré-eclâmpsia e, por isso, é mais abrangente do que a definição clínica de hipertensão gestacional.
Ainda assim, os autores alertam especificamente que a hipertensão gestacional é provavelmente subnotificada, porque os problemas de saúde são frequentemente subnotificados nas certidões de nascimento.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.