Israel demarca-se do adiamento de eleições palestinianas
O ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Saar, demarcou-se do adiamento das eleições legislativas na Palestina, hoje anunciado pelo Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, e justificado por "obstáculos" criados por Israel.
"A sua tentativa [de Abbas] de implicar Israel neste assunto […] não passa de mais uma mentira ridícula destinada a esquivar-se à responsabilidade e a evitar prestar contas", escreveu Gideon Saar na rede X.
O líder da Autoridade Palestiniana marcou hoje eleições presidenciais e legislativas simultâneas para 11 de setembro de 2027, adiando por quase um ano a votação parlamentar, que estava prevista para novembro.
Mahmoud Abbas "emitiu um decreto presidencial no sábado convocando a realização simultânea das eleições presidenciais e parlamentares", anunciou o seu gabinete, em comunicado divulgado pela agência de notícias oficial, Wafa.
As eleições parlamentares, parte das reformas exigidas pela comunidade internacional à Autoridade Palestiniana, estavam originalmente agendadas para 28 de novembro de 2026, enquanto as presidenciais eram esperadas para o início do próximo ano.
Os principais partidos palestinianos vinham discutindo nos últimos meses a possibilidade de adiar as legislativas, que não se realizam há cerca de 20 anos.
No comunicado, a presidência palestiniana justificou que o novo calendário foi decidido devido aos "obstáculos impostos pelas medidas israelitas que impedem a realização das eleições na data originalmente prevista, bem como à necessidade de criar condições políticas, de segurança e práticas adequadas para garantir eleições livres, justas e inclusivas".
Durante uma reunião na quarta-feira no Cairo, quatro fações palestinianas, incluindo a Fatah, liderada por Abbas e que controla a Autoridade Palestiniana, e o seu principal adversário, o grupo islamita Hamas, concordaram com a abertura de um "diálogo nacional" e, segundo várias fontes partidárias, solicitar o adiamento das legislativas.
No passado, os líderes palestinianos adiaram eleições à última hora, alegando fortes restrições israelitas à votação em Jerusalém Oriental ocupada, a que se adicionou entretanto a guerra na Faixa de Gaza.
As questões logísticas cruciais para a realização da votação na Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental continuam por resolver e os principais grupos políticos não chegaram a registar as suas listas eleitorais.
Nas últimas eleições, realizadas em 2006, o Hamas, classificado como movimento terrorista pelos Estados Unidos, União Europeia e Israel, conquistou a maioria dos lugares no Conselho Legislativo Palestiniano, composto por 132 membros, mas não conseguiu manter um governo na Cisjordânia.
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