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O “Público” e o jornalismo com aspas

Observador ·
O “Público” e o jornalismo com aspas

Há dias, li que uma sondagem colocava o PSOE 12 pontos à frente do PP nas eleições espanholas. O meu espanto durou o tempo que demorei a perceber a origem da notícia, o jornal “Público”, que mais abaixo menciona a entidade que realizou a sondagem: “O CIS, liderado por José Félix Tezanos, sociólogo com laços ao PSOE”. O “Público” não mentiu. É verdade que uma sondagem “dá” o PSOE como grande favorito à vitória nas “legislativas”. E é verdade que a sondagem foi obra do tal CIS e do tal sr. Tezanos do PSOE. O “Público” apenas elevou a manchete o resultado de uma sondagem sem qualquer validade pelos motivos que o “Público” disfarçou no meio do texto.

O CIS, Centro de Investigações Sociológicas, é um instituto estatal que, desde 2018, ano em que o sr. Sánchez nomeou o sr. Tezanos, se encontra escancaradamente ao serviço do PSOE. Em matéria de sondagens eleitorais, o CIS especializou-se em torturar a realidade para que esta confesse apreciar imenso o caldo de socialismo, corrupção e intimidação violenta de adversários em que o partido do sr. Sánchez afundou a política do proverbial “país vizinho” (uma anomalia geográfica: dada a indiferença da vasta maioria dos nossos “media” aos ataques à democracia que ali acontecem regularmente, fica a ideia de que Espanha está tão distante quanto a Papua Nova Guiné).

Graças a isso, de Badajoz para lá as sondagens do CIS e as alucinações correspondentes são habituais protagonistas de anedotas. Nas eleições gerais de 2023, em que previu a vitória do PSOE, o CIS até nem falhou excessivamente: limitou-se a falhar. Nas eleições seguintes, porém, fossem “europeias”, regionais ou municipais, o permanente viés daquilo começou a ser cómico. E agora, numa altura em todas, todas, todas as empresas privadas de sondagens concedem ao PP 5 a 8 pontos de vantagem para o sufrágio de Novembro, o CIS, com os seus 12% de sentido inverso, parece empenhado em atingir requintes de alta comédia. Só o “Público” não riu. E ainda acrescentou pormenores de “nonsense”. Eis a manchete exacta: “PSOE aumenta a vantagem face ao PP à boleia do efeito Maricarmen em Espanha”. Quer dizer, o “Público” achou insuficiente reproduzir as manipulações do CIS e, presumo que à revelia do próprio CIS, adicionou-lhe “contexto”: o despejo e a morte de uma senhora de 87 anos, ambos explorados sem vergonha pelos jagunços do sr. Sánchez.

Em tempos remotos o “Público” já foi um jornal, por sinal bom. Hoje é outra coisa. Levar a sério uma sondagem do CIS é o mesmo que tomar à letra a informação divulgada pelo Ministério da Saúde de Gaza, proeza que aliás o “Público” também costuma cometer. Porquê? Imagino que o “wishful thinking” seja para aqui chamado. Imagino, embora sem certeza absoluta, que o “Público” saiba que o CIS é radicalmente desprovido de credibilidade, e que o Ministério da Saúde de Gaza é uma metástase do Hamas. Sucede que na redacção do diário não parece haver particular interesse em mostrar o mundo que existe, e sim em mostrar o mundo que os senhores e as senhoras da redacção, vastamente subjugados aos tiques da esquerda contemporânea, gostariam que existisse.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.

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