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Corte na retenção encolhe reembolso de IRS, mas acerto é menor

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Corte na retenção encolhe reembolso de IRS, mas acerto é menor

O corte de 50% na retenção na fonte aplicado em novembro levará a menores reembolsos de IRS em 2027, ou até que o contribuinte tenha de pagar, mas o acerto é menor do que nos últimos anos, segundo especialistas.

A retenção do IRS na fonte vai ter um corte de 50% em novembro para refletir a descida intercalar do imposto aprovada no parlamento, voltando a aplicar-se as taxas atuais em dezembro.

No próximo mês, a redução na retenção "é mais acentuada do que o imposto devido no final", pelo que "vai permitir que o trabalhador fique com mais dinheiro em novembro e pode ter um menor reembolso" no próximo ano, no acerto de contas, disse à Lusa a Bastonária da Ordem dos Contabilistas Certificados, Paula Franco.

Apesar de continuar a ter impacto no montante a receber, ou até a pagar, na campanha de IRS no próximo ano, referente aos rendimentos de 2026, a bastonária salientou que a diferença não será tão grande como em 2024 e 2025, em que também foi feito um ajuste na retenção na fonte para refletir reduções nas taxas de IRS.

Este ano, a diminuição na retenção na fonte de novembro, que inclui o salário e o subsídio de natal, é de 50%, enquanto na descida intercalar do IRS no ano passado, alguns rendimentos, nomeadamente nos primeiros escalões, tiveram um corte de 100% da retenção e houve "reduções muito acentuadas", explicou.

Assim, o reembolso no próximo ano será "de certeza mais pequeno", mas "não fica tão distanciado como noutros anos", concluiu.

O fiscalista Luís Leon, da ILYA, também notou à Lusa que este corte de 50% na retenção "significa um mês completo de IRS que não adiantamos, isto quando o valor anual de IRS reduzido em 2026 claramente não é equivalente a um mês de retenção na fonte de IRS".

Desta forma, "como o sistema normal já aproximou as retenções ao imposto final", com esta redução, "quem não guardar o dinheiro no porquinho mealheiro vai ter uma surpresa desagradável quando entregar a declaração de IRS no próximo ano", alertou.

"Para todos aqueles que, em novembro, venham a ter ainda algum extra face ao que normalmente recebem ao longo do ano, o pagamento depois da entrega da declaração é quase certo", avisou o fiscalista.

Segundo as simulações elaboradas pela EY, enviadas à Lusa, um trabalhador solteiro e sem filhos com um salário de 1.500 euros por mês, arrisca ter de pagar cerca de 20,9 euros no próximo ano.

É de ressalvar, ainda assim, que estes cálculos consideram 250 euros de deduções, o limite para despesas gerais, valor que poderá ser mais elevado se o contribuinte registar despesas por exemplo com rendas ou faturas da área da saúde ou educação.

Nas restantes situações estimadas, existe ainda lugar a reembolso, ainda que possa ser menor do que em anos anteriores.

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