Descentralizar não é mandar executar
Lisboa, em 2013, fez uma escolha corajosa.
Com a reforma administrativa da cidade, transferiu para as freguesias competências que durante demasiado tempo tinham sido pensadas e geridas a partir de uma estrutura municipal central.
Não foi apenas uma transferência administrativa.
Foi o reconhecimento de que há problemas que se resolvem melhor quando quem decide conhece a rua, a escola, o jardim ou a comunidade onde eles acontecem.
A experiência mostrou também que descentralizar não significa abdicar de regras, fiscalização ou responsabilidade.
Pelo contrário.
Quanto mais próximo estiver o poder, maior deve ser a exigência de transparência, avaliação e qualidade do serviço prestado.
Porém, a descentralização enfrenta um adversário menos visível do que a oposição política, que é a força de gravidade das próprias organizações.
Os serviços da CML desenvolveram, naturalmente, e ao longo de décadas, procedimentos, departamentos e culturas administrativas construídos para decidir a partir do centro.
Ora quando existe vontade política para descentralizar, essa cultura não desaparece por decreto.
É aqui que começa a segunda geração da descentralização de Lisboa.
É, no fundo, uma escolha sobre o modelo de cidade, entre uma Lisboa governada pela proximidade ou apenas administrada a partir dela.
À medida que os instrumentos de delegação se tornam mais densos e regulamentados, cresce a tentação de prever, a partir do centro, como cada território deve organizar a resposta.
Ora, a descentralização é para a gestão dos territórios, sejam eles municípios em relação ao Estado Central, ou freguesias em relação aos municípios.
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