Hospitais do Iémen em dificuldades com aumento de feridos
Os hospitais do Iémen estão a ter dificuldades em lidar com o aumento de doentes feridos em combate causado pela intensificação dos confrontos entre rebeldes Huthis e tropas governamentais, alertou hoje o Comité Internacional da Cruz Vermelha.
Em comunicado, o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) indicou que os centros de atendimento na linha da frente em Marib, Taiz e ao longo da costa do mar Vermelho, no oeste do Iémen, estão entre os mais afetados, com alguns hospitais a registarem mais de 700 internamentos numa única semana.
Os incidentes com múltiplas vítimas estão a tornar-se cada vez mais frequentes, ao mesmo tempo que a escassez de material médico, pessoal treinado e cuidados especializados limita a capacidade de resposta dos hospitais.
"A equipa de cuidados de trauma está sob uma enorme pressão", alertou o coordenador de saúde do CICV no Iémen, Feras Abusamra, acrescentando que apenas uma pequena parcela das unidades de saúde em funcionamento consegue prestar cuidados integrais a doentes traumatizados.
Os hospitais na linha da frente, adiantou, estão a sofrer cada vez mais com falta de equipamento cirúrgico, anestesias, oxigénio e medicamentos.
Além disso, "a pressão adicional sobre os hospitais pode significar menos camas, menos equipamentos e menos capacidade para tratar pessoas com doenças não relacionadas com conflitos", sublinhou o cirurgião do CICV no Hospital Geral de Marib, Eduardo Toro.
O CICV está atualmente a apoiar mais de 40 unidades de saúde em todo o Iémen, incluindo grandes hospitais, oito centros de saúde pública e mais de 20 postos de primeiros socorros em Aden, Taiz, al-Dhalea e Lahij.
Segundo o comité, anos de conflito, dificuldades económicas, deslocações e surtos de doenças deixaram o sistema de saúde do país com uma capacidade limitada para lidar com uma nova emergência.
Por conseguinte, a organização solicitou um acesso humanitário contínuo e recursos adicionais, sublinhando que o pessoal médico deve poder chegar em segurança às pessoas necessitadas e que as ambulâncias têm de operar sem impedimentos.
O sistema de saúde do Iémen foi fragilizado por mais de uma década de conflito após a tomada da capital, Sanaa, pelo grupo rebelde xiita Huthis em 2014 e a subsequente intervenção de uma coligação liderada pela Arábia Saudita em 2015.
As hostilidades foram retomadas no Iémen em julho entre os Huthis, aliados do Irão, e as forças governamentais iemenitas, apoiadas pela Arábia Saudita, e intensificaram-se em setembro, atingindo um nível sem precedentes.
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