Como se constrói o diálogo entre artistas numa exposição?
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Neste episódio de A Nossa Cultura, continuamos no Museu Quinta da Cruz, Centro de Arte Contemporânea, em Viseu. Estamos a visitar a primeira de três posições do ciclo Peter Miker, que traz à cidade uma seleção de obras desta coleção particular de arte contemporânea. Nesta primeira mostra, encontramos trabalhos de 18 artistas, portugueses e estrangeiros, reunidos num percurso que cruza as temáticas do espaço e do lugar. E agora começamos verdadeiramente a percorrer a exposição. Estamos aqui numa primeira sala e estamos acompanhados pelo curador da exposição, Miguel Rujo. Viva, Miguel, obrigado por nos acompanhares nesta visita. Pergunto: o que é que distingue esta coleção? É uma coleção com diversas particularidades.
Olá, Ricardo, obrigado pelo convite. A coleção Peter Miker reúne cerca de 700 obras, mas de apenas 40 artistas, 20 portugueses e 20 estrangeiros. Isso permite acompanhar de forma muito profunda, muito próxima, os percursos, as linguagens, trajetórias artísticas de muitos destes artistas, muitas vezes com obras que marcaram o início da sua trajetória e que o colecionador vai acompanhando até aos dias de hoje. Se tivesse que caracterizar o que distingue a coleção, diria, sem dúvida, que é a proximidade com os artistas, ou seja, o Pedro Alves Ribeiro mantém um caráter próximo, de absoluto fascínio e até muitas vezes de amizade pelos artistas. E nesse sentido, representa, sem dúvida, um olhar pessoal do colecionador, mas também um momento específico da arte contemporânea dos últimos 40 anos.
O Miguel disse que era uma coleção com cerca de 40 artistas. E como é que foi feita então a seleção das obras destes 18 artistas que encontramos nesta primeira exposição?
Sendo um ciclo e havendo três posições, pareceu-nos fundamental haver uma representatividade e um olhar profundo e mostrar uma grande parte do núcleo de obras da coleção. Para esta primeira exposição, partimos do núcleo escultura e de escultores existentes, que é um núcleo forte dentro destas 700 obras, e quisemos relacionar todas de alguma forma, todas essas obras abordam as questões do espaço, do lugar ou a forma como nós, enquanto seres sociais, enquanto humanos, utilizamos, apropriamos e ocupamos esse espaço. Por isso, parte-se da escultura para se criarem diálogos entre os artistas e também entre obras e diferentes tipos de obras. Foi também fundamental, indo um pouquinho de encontro àquilo que eram os objetivos da Quinta da Cruz, de mostrar artistas próximos do público português, como por exemplo, o Rui Sanches, José Pedro Croft, Pedro Cabrita Reis, e depois artistas pouco conhecidos, raramente apresentados ou até inéditos em Portugal, como por exemplo, as três esculturas que a seguir vamos ver da Sydney Schroder, ou uma série de desenhos que foi apenas uma vez mostrada na Casa São Roque, recentemente, do Pepe Espalió.
Então, aproveitamos para descrever também um pouco aqui o que vemos à nossa volta nesta primeira sala. Por exemplo, falavas aqui de diversas esculturas. Esta que temos aqui à nossa frente é uma escultura de grande dimensão.
Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em observador.pt — o conteúdo pertence a Observador.