IA? "A oportunidade para criar empregos e produtividade é enorme"
O presidente do Banco Mundial, Ajay Banga, defendeu hoje que a inteligência artificial (IA) poderá criar mais oportunidades de trabalho nos países em desenvolvimento, em contraste com os receios de perdas de emprego nos países mais desenvolvidos.
Ao falar na abertura das Reuniões Anuais do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, que decorrem este ano em Banguecoque, na Tailândia, de 12 a 18 de outubro, Banga destacou que, "nos países de baixo rendimento e de rendimento médio inferior, a oportunidade para a pequena IA criar empregos e aumentar a produtividade é enorme".
Como exemplo citou casos no seu país natal, a Índia, onde ferramentas de IA ajudam agricultores a escolher melhores sementes, utilizar fertilizantes mais eficazes ou obter informação mais precisa sobre condições de produção, permitindo aumentar rendimentos e produtividade.
Banga afirmou que a promoção dessas aplicações práticas constitui uma das prioridades do Banco Mundial e do Conselho Global para o Emprego, um grupo criado para analisar o impacto das transformações económicas e tecnológicas no mercado de trabalho.
A diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva, afirmou hoje, no mesmo evento, que a IA deverá afetar cerca de 60% dos empregos nas economias avançadas, contra 23% nos países de baixo rendimento, mas com essa diferença apenas porque a tecnologia ainda não se difundiu plenamente por muitas economias de menor rendimento.
Para Banga, nos países em desenvolvimento o desafio imediato não é a "substituição de trabalhadores por algoritmos", mas antes garantir que a tecnologia chegue a escolas, hospitais, explorações agrícolas e pequenas empresas, permitindo aumentar a produtividade e criar novas oportunidades económicas.
"A questão é particularmente relevante numa altura em que muitas economias emergentes enfrentam o rápido crescimento da população jovem e a necessidade de criar milhões de empregos nos próximos anos", alertou.
Nesse contexto, o presidente do Banco Mundial argumentou que a inteligência artificial poderá tornar-se uma ferramenta importante para acelerar o desenvolvimento económico, desde que seja aplicada de forma prática e acessível às necessidades do mundo em desenvolvimento.
"A criação de empregos deve estar no centro das estratégias de desenvolvimento, argumentando que o crescimento económico só produz benefícios duradouros quando é acompanhado de oportunidades de trabalho para uma população cada vez mais jovem", afirmou.
Segundo Banga, os governos podem garantir acesso a educação, saúde, água potável e formação profissional durante a infância e juventude, mas a verdadeira integração económica depende da capacidade de encontrar trabalho e contribuir para a sociedade.
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