Trabalhadores do BCE exigem esclarecimentos sobre futuro de Lagarde
N uma carta enviada na sexta-feira a Lagarde e aos restantes membros da Comissão Executiva, a que a agência France-Presse (AFP) teve acesso, os trabalhadores alertam para os riscos de uma indefinição prolongada sobre a liderança da instituição.
Segundo o documento, esta situação poderá "afetar a confiança nas comunicações do BCE, suscitar preocupações entre os trabalhadores e as partes interessadas e dificultar o planeamento ordenado da sucessão e das prioridades estratégicas".
Questionada na quinta-feira sobre o assunto, Lagarde afirmou não haver "nada a anunciar" relativamente ao seu futuro.
Os membros da Comissão Executiva do BCE são nomeados após negociações políticas entre os chefes de Estado e de Governo da União Europeia.
Contactado pela AFP, o BCE sublinhou dispor de "mecanismos de governação há muito estabelecidos" e de "grande experiência" para "funcionar eficazmente durante períodos de transição".
"As mudanças ocorridas no passado demonstraram-no", acrescentou uma fonte da instituição.
A presidente do BCE enfrenta atualmente as repercussões das tensões geopolíticas no Médio Oriente, que têm pressionado em alta os preços da energia e contribuído para a subida da inflação na zona euro para o nível mais elevado dos últimos três anos.
A evolução levou o BCE a endurecer, na quinta-feira, a orientação da política monetária.
A carta do comité de pessoal, inicialmente divulgada pelo jornal Financial Times, recorda uma declaração recente de Lagarde, segundo a qual "quando há nuvens no horizonte, o capitão permanece a bordo".
"Estamos de acordo", afirmam os representados dos trabalhadores, acrescentando que esse princípio "também se aplica à gestão interna do BCE".
Além da questão da sucessão, a carta refere um mal-estar persistente dentro da instituição e aponta para uma "deterioração contínua" da confiança entre os trabalhadores e a direção.
Entre as críticas estão um alegado "sentimento de favoritismo" nos processos de recrutamento e promoção e a "autocensura de muitos trabalhadores", por receio de consequências negativas.
Os representantes dos trabalhadores apelam, por isso, à responsabilidade de Lagarde para que o BCE esteja "num estado melhor no final do seu mandato do que quando assumiu funções", não apenas no que respeita à estabilidade dos preços, mas também à governação interna e à confiança dos trabalhadores.
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