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Este "pó preto" português promete revolucionar o "jogo do gato e do rato" do desenvolvimento de drones

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Este "pó preto" português promete revolucionar o "jogo do gato e do rato" do desenvolvimento de drones

Um radar antiaéreo de última geração varre os céus à procura de ameaças, mas, no ecrã, não há qualquer sinal de perigo. No entanto, a poucos quilómetros de distância, um drone militar de grandes dimensões avança no terreno a grande velocidade em direção ao alvo. A invisibilidade do drone não se deve a um design complexo, mas sim a um revestimento de uma tinta inovadora, incrivelmente leve, que permite absorver e neutralizar a radiação eletromagnética do inimigo, tornando a aeronave praticamente invisível ao radar. Este cenário ainda é hipotético, mas é a promessa de um grupo de cientistas portugueses que criaram uma substância híbrida de grafeno, que ameaça quebrar o monopólio militar até agora detido por potências como os Estados Unidos.

"Um metal, por exemplo, faz blindagem eletromagnética, não deixa passar ondas, mas reflete de volta. O nosso material, o que tem diferente é que captura grande parte dessa onda e o que reflete é nada ou muito pouco, reduzindo em muito a capacidade do radar de detetar que aquele objeto está lá", explica Bruno Soares Gonçalves, presidente do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear e investigador coordenador no Instituto Superior Técnico.

O cenário de drones de grandes dimensões a passar despercebidos aos radares inimigos cobertos por tecnologia furtiva portuguesa ainda não é uma realidade dos campos de batalha, mas isso é algo que pode estar a meses de acontecer. Tudo porque a empresa portuguesa GTechPlasma, um spin-off do Instituto de Plasmas e Fusão Nuclear do Instituto Superior Técnico, desenvolveu uma forma inédita e altamente eficiente de produzir derivados de grafeno, um material feito a partir de carbono que se destaca por ser ultraleve e extremamente resistente.

Através de uma tecnologia baseada em plasma, a equipa portuguesa consegue pegar em moléculas ricas em carbono, como o álcool etílico comum, e transformá-las num "pó preto" de elevada qualidade, num processo que permite produzir "grafeno de altíssima qualidade" sem processos químicos demorados, caros e com forte uso de componentes tóxicos. É precisamente o pó híbrido que resulta desse processo que pode ser misturado com tintas vulgares e aplicado diretamente na fuselagem das aeronaves. Mas não só.

"Nós temos falado de aviões e de drones, mas podem ser navios, podem ser veículos que se queiram esconder do radar. Na realidade, qualquer plataforma que se queira tornar mais invisível ao radar beneficiará de ter um coating com o nosso material. (...) O objetivo é incorporá-lo numa tinta que possa ser usada de forma ampla em múltiplas plataformas", garante Bruno Soares Gonçalves.

Esta é uma solução praticamente inédita na Europa e que coloca Portugal na vanguarda de um mercado global altamente restrito, habitualmente dominado pelas principais potências mundiais. China e Estados Unidos dominam a produção desta substância, só que o grafeno produzido em Portugal é diferente daquele que é produzido em massa na China.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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