"Os polícias poderão utilizar todas as armas intermédias de que dispõem": França autoriza utilização de granadas atordoantes nas manifestações de sábado
O ministro do Interior francês, Laurent Nuñez, garantiu esta sexta-feira que as granadas atordoantes, proibidas nas manifestações estudantis dos últimos dias depois de uma delas poder ter arrancado uma mão a um adolescente, poderão ser utilizadas nas várias manifestações convocadas para este sábado.
A declaração surge na véspera de uma grande jornada de protestos no país, que contará não só com estudantes, mas também com outros grupos que contestam o aumento do custo de vida, incluindo os coletes amarelos, responsáveis por grandes distúrbios em 2019.
"Os polícias e os agentes da Gendarmaria poderão utilizar todas as armas intermédias de que dispõem. Isso inclui desde granadas de gás lacrimogéneo até lançadores de balas de defesa, num contexto de extrema dificuldade, quando a situação evolui para violência urbana ou distúrbios", explicou Nuñez, em declarações à estação televisiva France 2.
O ministro esclareceu que esta orientação abrange também as granadas atordoantes, que, segundo afirmou, são "pouco utilizadas" pelas forças de segurança, mas que "poderão ser usadas caso ocorram episódios de violência urbana extremamente grave".
"As granadas atordoantes não são utilizadas na manutenção da ordem durante uma manifestação quando tudo decorre normalmente. Num contexto de extrema degradação, se houver confrontos — o que espero que não aconteça —, se houver confrontos graves e violentos, poderão ser utilizadas todos os tipos de armas intermédias", insistiu.
Nuñez afirmou que as manifestações previstas para este sábado são diferentes dos protestos que os estudantes do ensino secundário têm realizado há pouco mais de duas semanas, durante os quais a atuação policial tem sido fortemente criticada pela sua dureza.
O ministro indicou que as autoridades identificaram cerca de 250 convocatórias nas redes sociais e aproximadamente 80 manifestações. Metade destas últimas já pediu autorização às autoridades. Nuñez apelou aos restantes organizadores para que o façam, argumentando que esse procedimento facilita a manutenção da ordem pública.
O governante lamentou ainda que, no final de muitos destes protestos, se juntem "elementos da extrema-esquerda", que provocam confrontos com as forças de segurança e danos no espaço público. Garantiu que, caso essas situações ocorram, haverá intervenção policial.
Acrescentou que as autoridades receiam igualmente o bloqueio de estradas em determinados pontos do país, como aconteceu durante os protestos dos coletes amarelos. Nesse cenário, ordenou aos agentes que garantam a circulação rodoviária.
Entretanto, os bloqueios de escolas secundárias prosseguiram pontualmente esta sexta-feira em várias zonas do país, embora a esmagadora maioria dos estabelecimentos de ensino tenha aberto normalmente.
Em alguns locais, os protestos estudantis deram origem a confrontos com as forças de segurança logo nas primeiras horas da manhã. Foi o caso de uma manifestação convocada no sudeste de Paris, que levou à intervenção das unidades de controlo de distúrbios.
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