Mulher trans internada à força em "centro de conversão" pelos próprios irmãos. Foi submetida a tratamentos "desumanos" durante três meses
Um tribunal do Equador condenou seis pessoas a penas entre os dois e quatro anos de prisão por um crime de ódio contra Karlina, uma mulher transexual que permaneceu internada contra a sua vontade durante três meses num centro onde eram praticadas as chamadas "terapias de conversão", informou o Ministério Público do país, esta segunda-feira.
Os juízes condenaram três pessoas a quatro anos de prisão como autores diretos do crime, enquanto as outras três receberam penas de dois anos como cúmplices.
Estes centros clandestinos oferecem-se para modificar a orientação sexual ou a identidade de género das pessoas, mas, no Equador, estas práticas são proibidas e podem constituir crimes como tortura, sequestro ou atos de ódio.
Segundo o Ministério Público, os familiares de Karlina levaram-na contra a sua vontade para o estabelecimento, situado no município de Chone, na província costeira de Manabí, onde foi submetida a tratamentos "cruéis, desumanos e degradantes com o objetivo de reprimir e alterar a sua identidade de género".
Depois de abandonar o centro clandestino, a vítima denunciou os maus-tratos sistemáticos que, de acordo com o seu testemunho, foram cometidos pelos seus irmãos, primos e outras pessoas próximas.
Os factos chegaram ao conhecimento do Ministério Público através do Conselho Nacional para a Igualdade de Género e, em setembro de 2021, a Procuradoria realizou uma busca ao centro e recolheu indícios relacionados com o internamento forçado da vítima.
Durante o julgamento, a acusação apresentou, além do testemunho de Karlina, o reconhecimento do local dos factos, a inspeção ocular, as provas recolhidas e os depoimentos de pessoas que confirmaram que a violência motivada pela sua identidade de género foi exercida de forma reiterada.
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