Paquistão envia soldados para Arábia Saudita em novo pacto de defesa
O Governo do Paquistão enviou centenas de soldados para a Arábia Saudita, aliada envolvida num crescente conflito com Huthis do Iémen, afirmaram à EFE fontes de segurança.
"O Paquistão mantém tropas mobilizadas na Arábia Saudita há décadas para fins de treino e logística, mas agora foram enviados para o Reino centenas de soldados adicionais ao abrigo do Acordo de Defesa de Meca", disse à EFE um responsável de segurança que pediu o anonimato.
As Forças Armadas, adiantou, preparam o envio de mais tropas. A autoridade não detalhou quantos militares já chegaram, nem onde estão sediados, e recusou-se a fornecer informações sobre qualquer mobilização de aeronaves paquistanesas em bases de Riade.
A Arábia Saudita, a Turquia e o Paquistão ativaram na segunda-feira o pacto de defesa conjunta — assinado em agosto — para efetivar a cláusula de assistência da aliança tripartida, segundo a qual uma agressão a um parceiro é um ataque contra todos.
O envio de efetivos para solo saudita visa responder à escalada dos rebeldes Huthis iemenitas, apoiados pelo Irão.
O Ministério da Informação do Paquistão classificou hoje como "falsas e fabricadas" as notícias sobre a utilização de aviões paquistaneses contra os Huthis.
O Paquistão, tinham dito anteriormente fontes de segurança à EFE, já mantinha mais de 10 mil soldados estacionados na Arábia Saudita antes da assinatura do acordo de Meca.
O pacto trilateral de defesa mútua reúne os recursos financeiros sauditas, o poder militar turco e o arsenal nuclear paquistanês e estipula que um ataque a qualquer dos signatários equivale a uma agressão a todos, em moldes semelhantes ao Artigo 5.º da NATO, a aliança militar ocidental.
O papel do Paquistão na aliança tripartida consolidou-se no final de setembro com a nomeação do tenente-general Nauman Mahmood para chefiar o secretariado-geral em Riade — um cargo de natureza rotativa entre as três nações.
Mahmood é um militar veterano especializado no combate a grupos terroristas e na vigilância de fronteiras perigosas, como a do Afeganistão na altura da retirada das tropas norte-americanas.
Os Huthis, cujo nome oficial é Ansar Allah, são um movimento político-religioso de maioria xiita militarmente apoiado pelo Irão e desde 2014 em guerra civil no Iémen com as tropas governamentais, apoiadas por uma coligação internacional liderada pela Arábia Saudita, razão pela qual têm atacado o país.
A 03 de setembro, os Huthis lançaram uma ofensiva sobre zonas das províncias de Taiz e Hodeida e, desde então, obtiveram avanços territoriais significativos, incluindo a tomada da cidade portuária de Moca e dos arredores do estreito de Bab el-Mandeb, o que representou um duro golpe para as autoridades internacionalmente reconhecidas.
O ministro dos Negócios Estrangeiros turco, Hakan Fidan, sublinhou hoje o caráter defensivo do acordo de defesa de Meca e garantiu que não autorizará ataques de tropas turcas destacadas no estrangeiro.
"Se um país signatário do acordo for atacado, receberá apoio para a sua defesa.
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