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"Não somos visita de casa. Não tenho nada contra ele": Mário Lino e Teixeira dos Santos descrevem em tribunal relação com Sócrates

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"Não somos visita de casa. Não tenho nada contra ele": Mário Lino e Teixeira dos Santos descrevem em tribunal relação com Sócrates

Depois de três dias de declarações de José Sócrates, esta quinta-feira foi a vez de Mário Lino e Fernando Teixeira dos Santos darem entrada no Campus de Justiça para serem ouvidos no âmbito da Operação Marquês.

Questionado pelo juiz sobre o antigo primeiro-ministro, Mário Lino disse que mantinha com este uma relação profissional quando ambos integravam o Governo. Foi ministro das Obras Públicas entre 2005 e 2009. Sobre o contacto posterior, afirmou que os dois são amigos, mas que a relação não é assídua.

"Não somos visita de casa. Não tenho nada contra ele", contou em tribunal.

Sobre Carlos Santos Silva, contou que o conheceu numa viagem à Venezuela, em 2007, e que a última vez que esteve com o mesmo foi “há muitos anos”. "Conheci-o numa viagem. Na primeira vez que fui à Venezuela em 2007. Ele também ia. Só o conheci ali. (...) Não tenho nada contra ele", referiu perante o juiz.

Durante o depoimento, Mário Lino recordou ainda um episódio relacionado com um concurso em que entrou em colisão com Sócrates. Disse ter na memória que existiu "um problema" porque o júri não concordava com determinada questão e que se recorda de o então primeiro-ministro ter dito que era necessária uma reunião.

“Paula Vitorino acompanhava tudo e ia-me pondo a par de tudo. Houve uma discordância entre mim e o primeiro-ministro. O presidente do júri se calhar até estava mais de acordo com o primeiro-ministro do que comigo. Eu achava que lançar o concurso não infringia nenhuma regra. Só ia acelerar o processo”, contou, referindo-se à então secretária de Estado dos Transportes.

Sobre outro episódio, relativo à possibilidade de recusa do visto do Tribunal de Contas ao concurso Poceirão-Caia, Mário Lino afirmou recordar-se “muito bem” de ter sido informado pelo presidente daquele tribunal, antes da decisão, de que iria receber o visto. Não conseguiu, contudo, precisar quando ocorreu a situação, referindo que havia dois ou três vistos e que não conseguia situá-los no tempo.

Mário Lino não foi, no entanto, a única testemunha a ser chamada esta quinta-feira. Também Teixeira dos Santos foi questionado sobre as relações que manteve com várias pessoas no processo.

Em relação a Armando Vara, disse conhecê-lo desde o Governo de António Guterres e ter mantido depois uma relação mais próxima quando Vara foi administrador da Caixa Geral de Depósitos. Descreveu o contacto como casual, embora existisse também uma relação pessoal.

“O Vara é alguém com quem me encontrava e com quem falava. Tinha também uma relação pessoal com ele. A última vez que estive com ele foi antes do julgamento, mas não consigo precisar quando. Há mais de cinco anos que não o vejo”, fez saber perante o juiz.

O antigo ministro de Estado e das Finanças foi ainda questionado sobre o projeto de alta velocidade quando entrou para o Governo, em julho de 2005. Teixeira dos Santos explicou que, nessa altura, o dossiê ainda não estava sob a tutela das Finanças.

"Em 2005, ainda não era um dossiê que estivesse nas Finanças. A tutela mais direta era das Obras Públicas. Era um projeto importante para o Governo, um projeto estruturante, e o debate político tornou isso evidente.

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Resumo agregado pelo 5News a partir do feed público do veículo. A matéria completa, com todo o contexto, está em cnnportugal.iol.pt — o conteúdo pertence a CNN Portugal.

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