ONG denunciam que cessar-fogo em Gaza existe apenas "no nome"
M ais de 100 organizações não governamentais (ONG) acusaram hoje Israel de continuar a matar e ferir palestinianos diariamente e de manter restrições que impedem a recuperação de Gaza, onde o cessar-fogo "existe apenas no nome".
Num comunicado conjunto, as ONG alertam que "os assassínios e as privações em Gaza não devem ser normalizados sob o pretexto de um acordo de cessar-fogo", acordados em outubro, sustentando que a população continua a enfrentar condições humanitárias extremas.
Segundo as signatárias, mais de 1.400 palestinianos foram mortos em Gaza desde a entrada em vigor do cessar-fogo, incluindo pelo menos 327 crianças, na sequência de ataques, tiroteios e operações militares israelitas.
As ONG afirmam ainda que centenas de corpos continuam soterrados sob os escombros, uma vez que as autoridades israelitas restringem a entrada de maquinaria necessária às operações de remoção e resgate.
O membro do conselho de administração da Rede de ONG Palestinianas, Mohsen Abu Ramadan, defendeu que as organizações locais continuam a responder às necessidades da população apesar da destruição de instalações, da deslocação de trabalhadores e da redução dos financiamentos.
"O Governo israelita deve pôr termo aos ataques e às restrições que dificultam o trabalho humanitário diário, enquanto os doadores devem disponibilizar financiamento direto e flexível para responder às necessidades existentes", afirmou.
As organizações acusam também Israel de alargar a denominada "Linha Amarela" para além dos limites previstos no acordo de cessar-fogo, reduzindo ainda mais a área disponível para a população palestiniana e agravando a sobrelotação.
A diretora executiva da Save the Children considerou no comunicado que o cessar-fogo perdeu significado perante a continuação das mortes de crianças e a impossibilidade de muitas famílias reconstruírem as suas vidas.
As ONG salientam ainda que mais de 80% das estruturas de Gaza sofreram danos, incluindo cerca de dois terços que terão sido destruídas.
O comunicado acrescenta que com a aproximação do inverno, centenas de milhares de pessoas continuam a viver em tendas, abrigos improvisados ou edifícios danificados, ficando expostas ao frio, ao vento e às inundações.
Ao mesmo tempo, quase um quarto dos agregados familiares do território é atualmente chefiado por mulheres, que enfrentam um risco acrescido de viver em condições habitacionais precárias.
As ONG referem igualmente que nenhum dos 36 hospitais da Faixa de Gaza está a funcionar plenamente devido à escassez de medicamentos, equipamentos e combustível.
Mais de 18.500 doentes, incluindo pelo menos quatro mil crianças, aguardam evacuação médica, enquanto mais de mil pessoas terão morrido enquanto esperavam transferência para tratamento, acrescentam.
O secretário-geral do Conselho Norueguês para os Refugiados, Jan Egeland, classificou a situação como "absolutamente vergonhosa", defendendo que os governos devem tomar medidas concretas para garantir a entrada sem restrições de ajuda humanitária, equipamentos e materiais de reconstrução.
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