Península Ibérica atingida por sete rios atmosféricos no início do ano
A Península Ibérica foi atingida por uma "sequência excecional" de sete rios atmosféricos em menos de um mês, entre janeiro e fevereiro deste ano, um fenómeno observado e estudado pela Universidade de Évora, foi hoje divulgado.
"Tivemos uma sequência excecional de rios atmosféricos nesse período, com consequências muito significativas no território", disse o diretor do Centro de Investigação em Ciência e Tecnologia para o Sistema Terra e Energia (CREATE) da Universidade de Évora (UÉvora), Miguel Potes.
Segundo o investigador, citado num comunicado da academia alentejana enviado à agência Lusa, essa sequência de episódios constituiu, ao mesmo tempo, "uma oportunidade única para observar os processos atmosféricos associados ao transporte de humidade".
Para estudar o que estava a acontecer acima da superfície, a universidade participou numa campanha internacional de "estudo de processos físicos e dinâmicos" que "desencadeiam ventos e precipitação fortes e intrusões de ar seco no Atlântico Norte e na região Euro-Mediterrânica", analisando também "são representados nos modelos de previsão do tempo", explicou a UÉvora.
Esta campanha, realçou, "teve a feliz coincidência de ocorrer num inverno com vários episódios excecionais de vento e precipitação na Europa e em especial na Península Ibérica", atingida por "sete rios atmosféricos" nesse período.
Os episódios de janeiro e fevereiro deixaram solos saturados e albufeiras cheias e provocaram inundações, lembrou a UÉvora.
Ao mesmo tempo, frisou, ofereceram "uma oportunidade rara para observar, em altitude, a atmosfera que transportava grandes quantidades de humidade do Atlântico".
No Alentejo, "a chuva deixou uma marca particularmente expressiva".
Em fevereiro, as estações do CREATE registaram 252,8 milímetros de precipitação em Portel, 243,8 em Évora e 252,1 na estação do Polo da Mitra, a 12 quilómetros desta cidade.
"Os valores fazem parte de um episódio de precipitação excecionalmente intenso em Portugal continental que, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), fez de fevereiro de 2026 o mês de fevereiro mais chuvoso dos últimos 47 anos e o quinto mais chuvoso desde 1931", pode ler-se no comunicado.
No âmbito do projeto EUROP — European University RadiOsonde Partnership, foram lançadas 14 radiossondas a partir do Observatório de Ciências Atmosféricas do CREATE em Évora.
"As radiossondas são pequenos instrumentos transportados por um balão cheio com hélio que sobem através da atmosfera e medem, entre outras variáveis, temperatura, humidade, pressão e vento", explicou o investigador.
O objetivo passa por "perceber o que está a acontecer na atmosfera em altitude, acompanhando a estrutura e o transporte de humidade durante a passagem destes sistemas".
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