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Mau tempo "muito mais cedo" e oceanos "explosivos": O que se passa(rá)?

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Mau tempo "muito mais cedo" e oceanos "explosivos": O que se passa(rá)?

N uma altura em que o verão está interrompido por chuva e aguaceiros por todo o país, as dúvidas sobre o que se passa começam a surgir. Sobre o inverno que daqui a alguns meses vai chegar, também não há muito a dizer ainda, já que a instabilidade que está a formar-se não deixa grandes pistas.

"Aquilo que é especial em relação a esta depressão que estamos a observar em agosto é que ela ocorre muito mais cedo em relação à época das tempestades, que começa a partir de setembro e até outubro - mais até [em] outubro" , explicou o especialista em alterações climáticas Filipe Lisboa à CNN Portugal, esta segunda-feira.

O doutorado na área falou ainda sobre o fenómeno El Niño, descartando que, para já, se possa associar a este a situação atual. "Sabemos que o El Niño está formado, mas o seu pico será para novembro e também em anos de El Niño sabemos que pelo menos no Atlântico Norte a probabilidade de termos furacões é menor", apontou.

Sobre a temperatura das águas do mar , que têm vindo a atingir recordes, o especialista também falou. "Os nossos oceanos estão muito quentes. Não só para esta altura do ano", afirmou, reconhecendo que as temperaturas do oceano estão a chegar a "recordes absolutos".

"Nós temos uma anomalia - uma diferença da temperatura em relação à média. Temos anomalias positivas da temperatura da água do mar um pouco por todo o planeta. Há uma regra muito simples, que é: sempre que temos águas equatoriais a uma temperatura sobrelevada, essas águas equatoriais vão provocar evaporação e essa evaporação é a génese de tempestades - sejam elas no Atlântico, como também no Pacífico" , explicou.

Neste momento nenhum cientista climático pode atestar se vamos ter um inverno muito chuvoso ou muito seco. Isso é algo que me preocupada

Ao longo da entrevista com a emissora, o especialista falou ainda em detalhe sobre qual o impacto destes recordes. "O mar quente é a fórmula, a base, de formação de grandes tempestades, especialmente depois quando no outono, no hemisfério Norte".

Sublinhando novamente que o El Niño não explicava para já a "sobrelevação" das temperaturas do mar, Filipe Lisboa apontou que é para os oceanos que vai a maior parte do "calor adicional" que provém das alterações climáticas.

"Os oceanos depois respondem para a atmosfera. E respondem de uma forma bastante explosiva. Os oceanos ficam mais evaporativos, com maior humanidade presente na atmosfera e maior probabilidade destas tempestades ocorrerem mesmo em alturas que não são expetáveis. Teremos certamente uma janela, neste outono que se avizinha, para observar se realmente temos mais furacões no Atlântico norte" , detalhou.

Quanto ao futuro, Filipe Lisboa explicou que a previsão para o tipo de invernos que se podem vir a ter é concluída a partir da oscilação do Atlântico Norte: "Neste momento nenhum cientista climático pode atestar se vamos ter um inverno muito chuvoso ou muito seco. Isso é algo que me preocupada".

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