Von der Leyen pede redução de burocracias na transposição de leis da UE
A presidente da Comissão Europeia desafiou hoje os líderes da União Europeia (UE) a começarem a trabalhar para reduzir a burocracia nacional associada a leis comunitárias, instando-os a comprometerem-se com uma declaração de princípios nesse sentido.
Na tradicional carta que escreve aos chefes de Estado e de Governo da UE antes da cimeira do Conselho Europeu, que se realiza na quinta e sexta-feira em Bruxelas, Ursula von der Leyen recordou os esforços que a Comissão Europeia tem feito no sentido de simplificar as leis europeias, que considera um pré-requisito para aumentar a competitividade do bloco.
A presidente do executivo comunitário referiu em particular que, no discurso que fez sobre o Estado da União, em setembro no Parlamento Europeu em Estrasburgo, propôs um pacto para evitar que os Estados-membros acrescentem requisitos ou burocracias quando transpõem diretivas europeias para a legislação nacional.
"Isto vai permitir transformar os compromissos que todos assumimos em ações coordenadas a nível europeu e, sobretudo, a nível nacional.
Em conjunto com as outras medidas que adotámos e a nossa estratégia para o futuro, esta abordagem produzirá resultados concretos para os cidadãos e as empresas de toda a União", defendeu.
Von der Leyen salientou que o pacto se baseia numa "premissa central: uma regra acordada a nível europeu não se pode tornar mais complexa quando é transposta ou adotada a nível nacional".
O objetivo do pacto, referiu, é que os Estados-membros e as instituições da UE se comprometam com uma "declaração de princípios" que estabelece um conjunto de "regras claras e acessíveis, concebidas para se adaptarem tanto às realidades práticas como à evolução das necessidades".
"O resultado traduzir-se-ia em compromissos concretos para manter a simplicidade das novas regras e facilitar a aplicação das já existentes, dando à Europa mais margem para crescer, prosperar e competir", sustentou.
Na mesma carta, a presidente da Comissão Europeia defendeu que, quando os Estados-membros transpõem leis da UE para o direito nacional, devem "comprometer-se a identificar quaisquer requisitos adicionais que introduzam e justificar a sua necessidade".
"Deverão igualmente demonstrar o impacto desses requisitos e obrigações nas empresas e no mercado único.
Sempre que um Estado-membro opte por ir além do exigido pelo direito da União, essa opção deve ser claramente identificada e transparente para todos", apelou.
Da parte da Comissão, Von der Leyen garante que o executivo vai "privilegiar regulamentos" – que são aplicados imediatamente e não precisam de ser transpostos, ao invés das diretivas – e tentar dar "orientações mais claras para a transposição das propostas da UE para a legislação nacional".
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