Após buscas, congressista democrata Ilhan Omar denuncia intimidação
A congressista democrata norte-americana Ilhan Omar afirmou hoje que "não será silenciada", depois de agentes federais terem realizado buscas na sua residência, o que congressistas democratas consideraram um "abuso de poder".
Omar classificou as buscas, no âmbito de uma investigação judicial, como a "mais recente escalada" de uma campanha de "intimidação" do Presidente norte-americano, Donald Trump.
A operação ocorreu a cerca de três semanas das eleições intercalares de novembro, nas quais a congressista do Minnesota concorre a um novo mandato na Câmara dos Representantes.
As buscas foram rapidamente condenadas pelos principais dirigentes democratas no Congresso, considerando a iniciativa um "abuso de poder", e questionando também a proximidade da operação relativamente às eleições.
Historicamente, o Departamento de Justiça tem procurado evitar medidas públicas de investigação envolvendo candidatos nos 60 dias anteriores a eleições primárias ou gerais.
O Departamento de Justiça confirmou, no entanto, que agentes do Homeland Security Investigations (Investigações de Segurança Interna, HSI na sigla em inglês)) cumpriram um mandado de busca autorizado judicialmente na região de Washington, no âmbito de uma investigação criminal federal em curso.
A natureza e a dimensão da investigação permanecem por esclarecer.
O secretário da Segurança Interna, Markwayne Mullin, afirmou no mês passado que estava em curso uma investigação relacionada, em parte, com a possibilidade de Omar ter prestado informações falsas nos seus documentos de imigração.
"Alguma coisa vai acontecer", afirmou então Mullin.
Nascida na Somália, Omar tem sido repetidamente criticada por Trump e outros dirigentes republicanos devido às suas posições políticas e ao seu percurso como imigrante nos Estados Unidos.
No fim de semana, Trump voltou a referir-se à congressista durante um comício no Tennessee, criticando o seu percurso e sugerindo que o vice-presidente, JD Vance, e outros responsáveis estavam a investigá-la.
"Durante anos, Donald Trump e extremistas de extrema-direita atacaram incessantemente a congressista Omar com ataques pessoais e acusações sem fundamento", afirmaram os principais dirigentes democratas da Câmara dos Representantes.
Os dirigentes democratas classificaram ainda a operação como um "abuso de poder" da administração Trump e criticaram a realização das buscas a menos de 30 dias das eleições intercalares.
Omar, de 44 anos, representa o 5.º distrito eleitoral do Minnesota, que inclui Minneapolis, e foi eleita pela primeira vez para a Câmara de Representantes do Congresso dos Estados Unidos em 2018.
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