Câmara do Porto suspende adjudicação da obra na Rua de Guerra Junqueiro
A Câmara do Porto suspendeu a adjudicação da empreitada de beneficiação da Rua de Guerra Junqueiro, cujo concurso público foi lançado em março, e está a reavaliar o projeto, foi hoje revelado.
À margem da reunião privada do executivo municipal, o presidente da autarquia, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), explicou hoje aos jornalistas que, perante "interesses muito contraditórios", o município decidiu não adjudicar a obra e que está a "avaliar e a ouvir" as diferentes partes.
Em março, um grupo de encarregados de educação de várias escolas nesta rua - que liga a Rua do Campo Alegre à Avenida da Boavista - lançaram uma petição para pedir à autarquia que procedesse à revisão do projeto para a artéria e suprimisse uma das vias de trânsito e uma das filas de estacionamento existentes.
Pedia também a construção de uma ciclovia bidirecional ao longo de toda a extensão da rua, a introdução de zonas verdes e de convivência, a implementação de zonas especificas para condutores pararem os carros para deixar os filhos nas escolas e a inclusão de radares de velocidade.
"No que diz respeito à Rua de Guerra Junqueiro, nós temos interesses muito contraditórios entre os moradores que defendem uma visão, um grupo de pais das escolas que defendem uma visão completamente diferente e ainda das pessoas que circulam naquela via, que é uma via considerada estruturante de ligação entre a cidade", esclareceu Pedro Duarte, que disse que o seu executivo quer promover uma "forma de participação" que envolva a comunidade.
Pelo PS, Manuel Pizarro considerou tratar-se de uma "boa notícia" a suspensão da adjudicação do "projeto do passado" e disse pensar que a intervenção deve ser feita com "critérios de modernidade, com alargamento do espaço público e dos passeios, com plantação de maior número de árvores".
"O Porto não pode aspirar a ser capital verde europeia (…) e continuar a caracterizar as intervenções no espaço público por betão ou cimento.
Isso exige uma coerência.
É preciso criar espaço para as pessoas, criar espaço para as bicicletas, criar espaço para as árvores e para os arbustos que devem caracterizar a modernização da infraestrutura viária da cidade", afirmou o vereador socialista.
A petição "Guerra Junqueiro Mais Alegre" chegou a ser levada, em junho, à Assembleia Municipal e um relatório feito dava conta de que o projeto de beneficiação da autarquia não permitia a implantação de uma ciclovia.
"Considerando o Plano Diretor Municipal [PDM] e a dimensão das bolsas de estacionamento previstas no projeto, a largura do perfil proposto não tem capacidade para a implementação da ciclovia", que era uma das reivindicações dos peticionários, podia ler-se no relatório, redigido pela Divisão Municipal de Apoio à Assembleia Municipal (AM).
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