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El Niño deverá agravar necessidades humanitárias na África Austral

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El Niño deverá agravar necessidades humanitárias na África Austral

Um El Niño de grande intensidade, com início previsto este ano e a prolongar-se aos primeiros meses de 2027, deverá agravar a insegurança alimentar e outras necessidades humanitárias na África Austral, alertaram as Nações Unidas.

No mais recente panorama sobre as necessidades humanitárias na região, divulgado esta semana, o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) revela dados sobre surtos de doenças, insegurança alimentar e malnutrição, deslocados e outras condições nessa região de África, que inclui Angola e Moçambique, advertindo que a situação deverá agravar-se durante a época das chuvas, entre outubro de 2026 e março de 2027.

A OCHA revela que Angola concentra mais de metade dos casos de sarampo e Moçambique lidera os casos de cólera na África Austral.

Angola registou 7,4 mil casos de sarampo entre janeiro e agosto, num total regional de 13,8 mil, à frente da África do Sul, com 6,5 mil.

Seguem-se Madagáscar, com 5,7 mil casos, e Moçambique, com 1,6 mil.

Moçambique, com 8,2 mil casos, tem o valor mais elevado de cólera na região da África Austral, onde o total é de mais de 19 mil casos desde o início do ano.

Angola enfrenta também um surto ativo de cólera, com 6,1 mil casos entre janeiro e setembro, e o OCHA indica que a transmissão se manteve ativa em vários países, incluindo os dois lusófonos.

O Malaui contabilizou 3,2 mil casos, a Zâmbia, 1,2 mil casos, a Namíbia 213, a Tanzânia 113, o Zimbabué 36 e a África do Sul dois.

"Os surtos de doenças continuaram a pressionar sistemas de saúde já frágeis", sublinha o documento, que contabiliza ainda mais de 4,1 mil casos de mpox entre janeiro e agosto, a maioria dos quais em Madagáscar, com 3,5 mil.

Angola e Moçambique estão também entre os países com crianças em situação de desnutrição aguda, a par de Madagáscar, numa região onde mais de 680 mil crianças entre os 6 e os 59 meses sofrem deste problema, segundo as estimativas do relatório.

Moçambique soma a estes problemas a crise de deslocados, com 662 mil deslocados internos, sobretudo no norte do país, num total de 843 mil pessoas deslocadas dentro dos próprios países na África Austral.

Na região, o conflito continuou a ser um dos principais motores das deslocações, bem como os choques climáticos recorrentes, incluindo secas, cheias e ciclones, segundo o OCHA.

Moçambique está também entre os três países, a par de Madagáscar e do Malaui, onde a insegurança alimentar persistiu, devido a "choques climáticos recorrentes ou insegurança localizada", que "continuaram a destruir os meios de subsistência e a resiliência".

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